Título: Carlos Langoni, da FGV, será um dos membros de conselho da supertele
Autor: Rosa, Bruno; Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 15/01/2008, Economia, p. 17
Oi já tinha convidado economista em 2006, na época da pulverização.
RIO e BRASÍLIA. Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-presidente do Banco Central (BC), será um dos membros independentes do conselho de administração da supertele, empresa resultante da incorporação da Brasil Telecom (BrT) pela Oi. O negócio - que ainda está sendo finalizado pelos principais acionistas - depende de um decreto presidencial que altere o Plano Geral de Outorgas.
A relação de Langoni com os fundos de pensão, acionistas das duas operadoras, e a Oi (ex-Telemar) é antiga. Há anos, o economista fez um estudo sobre o setor de telecomunicações para a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil. Langoni também já tinha sido convidado pela Oi para ser um dos 11 membros do conselho da companhia no fracassado processo de pulverização das ações na Bolsa, em 2006. Segundo fontes, Langoni também foi o responsável por trazer a Intelig, empresa-espelho da Embratel.
Langoni não foi encontrado pelo GLOBO para confirmar o convite. O economista é ainda responsável pela consultoria financeira do Comitê da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Metade dos integrantes do conselho da supertele será indicada pelos controladores da Oi - La Fonte e Andrade Gutierrez à frente - e a outra metade, pelos fundos de pensão, da BrT.
Segundo fonte próxima a Daniel Dantas, dono do Opportunity (acionista da BrT), ele teria ficado "supersatisfeito" com a proposta da Oi. Pelos cálculos dessa fonte, Dantas deverá ficar com R$1,5 bilhão dos R$4,85 bilhões oferecidos pelo controle da BrT. A La Fonte e a Andrade Gutierrez também devem comprar a parte da Oi em poder da LexPart, uma das empresas que formam a holding dona da Oi, e que tem entre os sócios Citigroup e Opportunity.
- As negociações continuam. Muita coisa deve ser conversada esta semana, como a governança da companhia - disse a fonte.
A venda da BrT para a Oi foi defendida ontem pelo ouvidor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Aristóteles dos Santos. Ligado ao PT e à Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel), ele apresentou seu relatório anual com críticas à Anatel, que, em sua opinião, dá prioridade às empresas e coloca o usuário em último lugar:
- Defendo, sim, uma mudança estrutural do setor. A existência de uma empresa nacional robusta com capacidade de concorrer com outros players é positiva, gerando empregos e tecnologia no Brasil.
Ouvidor da Anatel critica preço de assinatura
Para Santos, a União - acionista da Oi por meio da BNDESpar e de seguradoras do BB - poderia deter um instrumento legal que impeça a transferência do controle da supertele para estrangeiros:
- Tem que ter salvaguardas. O que tem sido dito é muito balão de ensaio, mas pode (o acordo) prever uma golden share (dando poder de veto à União).
Para o ouvidor, a atuação da agência é negligente quanto ao aumento da competição. O valor da assinatura básica mensal foi objeto de crítica. Ele lembrou que em 1998 ela custava R$13 e, hoje, está em R$40.