Título: Fundos voltados para infra-estrutura querem aplicar R$10 bilhões no país
Autor: Doca, Geralda; Paul, Gustavo
Fonte: O Globo, 20/01/2008, Economia, p. 34
COMPASSO DE ESPERA: Investimento com dinheiro do FGTS depende da CVM.
Recursos serão destinados a projetos de energia, rodovias e portos.
BRASÍLIA. Os fundos de investimentos voltados à aplicação de recursos em infra-estrutura darão, em 2008, uma contribuição valiosa às obras que visam à redução dos gargalos logísticos, especialmente aquelas que integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os fundos de investimento em participações (FIPs), inflados pelas entidades de previdência privada das estatais (como Previ e Funcef), e o fundo formado por recursos do FGTS, que finalmente entrará em ação, um ano após seu lançamento, estão programando aplicar em empreendimentos das áreas de energia, rodovias e portos, entre outros, R$10 bilhões ao longo deste ano.
O fundo de investimento do FGTS (FI-FGTS) vai co-financiar projetos da carteira do BNDES incluídos no PAC e ajudar também a Caixa Econômica Federal a deslanchar obras nas áreas de saneamento básico, estrada e energia da iniciativa privada. Técnicos dos dois bancos e representantes do Comitê de Investimento do novo fundo estão fechando os ajustes sobre a seleção de projetos e os moldes de parceria.
Fundos ficarão fora de usina do Rio Madeira
A atuação do novo fundo deverá se concentrar em empreendimentos de pequeno porte, como pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e rodovias. A justificativa é que a rentabilidade mínima fixada para o fundo, de 6% ao ano mais TR, é considerada elevada e supera a TJLP, que é de 6,25% anuais.
Ou seja, fica mais caro para os grandes empresários se financiarem por intermédio do FI-FGTS. O diretor financeiro do BNDES, Maurício Borges, disse que o fundo deverá ficar fora, por exemplo, da construção da hidrelétrica do Rio Madeira.
Ainda assim, a avaliação é que a estréia do FI-FGTS será interessante, diante da insuficiência de recursos do BNDES e da rentabilidade ainda maior requerida pelos fundos de infra-estrutura existentes, que supera 12% ao ano, pois inclui a chamada performance (ganhos do agente financeiro variam de acordo com a rentabilidade das aplicações).
Para começar a funcionar, o fundo do FGTS depende ainda da palavra final da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a nova política de investimentos, aprovada pelo Conselho Curador no fim do ano passado, além da contratação pela Caixa (o agente operador) de um custodiante (instituição financeira responsável pela guarda dos ativos) e de uma auditoria externa. A expectativa do presidente do Comitê de Investimentos, Paulo Furtado, é que essas questões sejam equacionadas esta semana.
Ele avalia que ainda no primeiro semestre deste ano o FI terá aplicado boa parte dos R$5 bilhões inicialmente previstos:
- Há demanda para isso.
Furtado afirmou que a rentabilidade média a ser perseguida pelo fundo é resultado do retorno combinado de vários projetos. O Comitê pode autorizar, por exemplo, uma taxa de juros menor num determinado empreendimento e compensar em outro que suporte uma rentabilidade maior, explicou.
Só os projetos da carteira do BNDES incluídos no PAC e que ainda não têm recursos garantidos somam R$4,4 bilhões. São 10 PCHs, seis usinas hidrelétricas de médio porte e seis projetos de transmissão de energia. Entre eles, estão as PCHs Areia Branca (Sudeste) e Cotiporã, Linha Emília e Caçador (na Região Sul); as hidrelétricas Serra do Facão e Corumbá 3 (Centro-Oeste) e Baguari (Sergipe). Há também propostas de investimentos nos trechos de rodovias recém-privatizados, como a BR 393 e a BR 101 no Rio.
Caixa tem R$2,5 bi em projetos para saneamento
A Caixa Econômica tem uma seleção de projetos de R$2,5 bilhões nas áreas de saneamento, estradas e energia que serão apresentados ao Comitê de Investimentos do fundo. Além desses, há pleitos de R$1 bilhão em financiamentos à Caixa de projetos não gerenciados por ela.
Para diluir riscos, o Conselho Curador do FGTS fixou em 40% o limite de aplicação do fundo por setor (rodovias, portos, hidrovias, ferrovias, energia e saneamento). Também foi decidido que os investimentos em renda variável de alto risco (bolsa, cotas de fundo de investimento em participações e fundos de investimento imobiliário) não poderão ultrapassar 50% do capital do fundo. Ele também não poderá financiar mais de 90% do empreendimento.