Título: Submarino e caças na agenda de Jobim
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Fonte: O Globo, 28/01/2008, O País, p. 4
Ministro vai a França e Rússia para acordos de transferência de tecnologia
BRASÍLIA. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, iniciou ontem viagem de 13 dias à França e à Rússia para fechar acordos na área de Defesa que garantam transferência de tecnologia ao Brasil. Jobim tem dito que o Brasil precisa ter ganhos na produção tecnológica e não apenas importar equipamentos. Na França, Jobim quer conhecer melhor projetos relacionados a submarinos e ainda o caça Rafale, um dos analisados pelo Brasil dentro do projeto de compra de novos caças para a FAB. Antes da viagem, o ministro recebeu a garantia do presidente Lula de que, mesmo que haja cortes no orçamento de investimentos de R$9 bilhões da Defesa, os recursos para o projeto do submarino nuclear - cerca de R$130 milhões ao ano - já estão garantidos.
A avaliação feita pela Defesa é de que o programa nuclear da França é o que está mais avançado nessa área no mundo. No Planalto, a decisão de fazer um submarino nuclear está diretamente relacionada ao novo papel das Forças Armadas no Brasil. Pelo relato de um ministro, o submarino é o símbolo da nova estratégia de defesa nacional elaborada pelo governo.
Agenda na Rússia inclui projeto para compra de caças
Na Rússia a agenda deverá incluir a questão dos caças, já que os russos produzem o SU-35, ou Sukhoi. Em 2003, o governo Lula suspendeu a licitação em andamento, que envolvia cerca de US$700 milhões para a aquisição de 12 caças FX. Agora, decidiu retomar a compra, mas a aquisição não será feita mais nos moldes do processo anterior, e sim levando em conta a transferência de tecnologia.
Ministro terá encontro com Nicolas Sarkozy
Segundo integrantes da Defesa, no caso da França a idéia é uma cooperação mais ampla. Lula conversou sobre o assunto com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que se encontrará com Jobim na terça-feira. Jobim chega hoje a Paris. Na segunda-feira, terá encontro com o o presidente da DCNS - empresa do setor de construção naval -, Jean-Marie Poimboeuf. Na terça-feira, uma audiência com Sarkozy, à tarde. E, no dia 31, ele visitará os estaleiros de submarinos da DCNS.
O governo optou por um submarino com capacidade para ficar até um ano em águas profundas sem precisar subir à superfície. Segundo uma fonte militar, o Brasil não tem pretensões expansionistas, portanto adota o conceito de defesa dissuasória.
Jobim chega a Moscou no dia 1º de fevereiro. Na Rússia, a meta é fechar parceria no caso dos caças, dentro da linha de transferência de tecnologia. No dia 2, ele visitará estaleiros russos, assim como no dia 4, quando conhecerá unidades militares. No dia 5, encontrará autoridades, entre elas o ministro da Defesa, Anatoliy E. Serdyukov. O ministro retorna ao Brasil no dia 7.
Com Jobim irão o ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger; o comandante da Marinha, Júlio Soares de Moura Neto; e o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.