Título: Desemprego recuou para 8,5% na AL
Autor: Doca, Geralda
Fonte: O Globo, 29/01/2008, Economia, p. 24

OIT diz que informalidade na região atinge 61% dos trabalhadores urbanos.

BRASÍLIA. A taxa de desemprego na América Latina e no Caribe caiu no ano passado, de 9,1% para 8,5%, pela quinta vez consecutiva, na carona da expansão econômica e com aumento da renda e do número de vagas formais. A melhora no indicador consta do relatório "Panorama Laboral", divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e elaborado a partir de informações oficiais dadas pelos países no período de janeiro a setembro de 2007. A expectativa para o fechamento do ano é que a taxa fique em 8,2%, o que representa um universo de 17 milhões de trabalhadores sem ocupação.

O levantamento aponta, no entanto, que a informalidade continua alta na região, sendo realidade para 61,5% dos trabalhadores urbanos - destes, 39,2% não têm qualquer proteção previdenciária. Também persistem os desafios de gênero e em relação à juventude. O percentual de desocupação das mulheres é 1,6 vez maior que o dos homens, e a taxa de desemprego dos jovens é 2,2 vezes maior do que a média.

Diante do quadro, a OIT chama a atenção para o déficit de trabalho decente na região e reforça a necessidade de políticas públicas efetivas para melhorar a qualidade dos postos e reduzir as desigualdades. O organismo alerta que a manutenção da trajetória de queda do desemprego dependerá da situação econômica mundial.

Apesar disso, a OIT afirma que o desemprego continuará caindo em 2008, só que num ritmo menor, de 0,3 ponto percentual, devendo fechar o ano a 7,9%. Entre as causas para a piora no cenário, a OIT cita a desaceleração dos EUA.

A queda na taxa de desemprego foi generalizada, com destaque para Panamá, Argentina, Uruguai, Venezuela, Chile, Colômbia, Jamaica, Costa Rica e Honduras. Em seguida, estão Barbados, Trinidad Tobago, Brasil, Equador e Peru. No México, a taxa subiu, de 4,6% para 4,9%.

O relatório destaca o aumento na renda dos trabalhadores na indústria, que tiveram ganho real de 3%. O poder aquisitivo auferido por quem recebe o salário mínimo cresceu 4,7% em 18 países da região.