Título: Bolsa de SP cai 1,33%, após quatro dias de alta, por EUA e ata do Copom
Autor: Rangel, Juliana
Fonte: O Globo, 01/02/2008, Economia, p. 24

Rebaixamento da classificação de seguradoras americanas assusta investidores.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) rompeu ontem uma seqüência de quatro dias de alta, devido a temores com as seguradoras de bônus nos EUA e pela indicação de alta de juros contida na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O Ibovespa fechou em queda de 1,33%, aos 59.490 pontos. O dólar recuou 1,12%, negociado a R$1,761. Já o risco-país subiu 6,14%, para 259 pontos.

Pela manhã, pesou o risco do rebaixamento das notas das seguradoras de bônus dos EUA, como Ambac e MBIA, que garantem papéis lastreados em hipotecas de alto risco (subprime). A divulgação da ata do Copom também contribuiu para o mau humor:

- A interpretação foi que o BC está mais preocupado com a inflação e deixou a porta aberta para a alta dos juros, se necessário - disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.

Nasdaq teve o pior janeiro de sua história: queda de 9,9%

Outro fator negativo no mercado foi o aumento dos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, de 69 mil, para 375 mil na semana passada, o maior patamar em dois anos. Na mínima do dia, a Bovespa chegou a cair 3,98%. Além disso, a MBIA divulgou um prejuízo de US$2,3 bilhões no quarto trimestre, com baixa contábil de US$3,5 bilhões, devido ao subprime. Mas o presidente da seguradora garantiu ter os recursos necessários para manter a atual classificação da companhia e desmentiu o rumor de concordata. Os papéis da MBIA subiram 11%, e Wall Street se recuperou. O Dow Jones fechou em alta de 1,67%, o Nasdaq, de 1,74%, e o S&P, de 1,68%.

No mês, o Dow perdeu 4,6%, o pior janeiro desde 2000, e o S&P, 6,1%, o pior em 17 anos. Já o Nasdaq teve queda de 9,9%, a maior de sua história.

A Bovespa, por sua vez, apenas reduziu suas perdas no dia. No mês, a queda foi de 6,88%. Entre os destaques, as ações ON da TIM Participações (+8,58%) e PN da Brasil Telecom (+5,66%), graças à expectativa de mudanças na Lei Geral de Outorgas.