Título: Petista se queixa de abandono
Autor: Lima, Maria
Fonte: O Globo, 02/02/2008, O País, p. 3
Só após demissão PT divulgou nota de solidariedade.
BRASÍLIA. A ex-ministra da Igualdade Racial é militante do PT e foi indicada para a vaga pelo movimento negro. Matilde Ribeiro queixou-se a amigos, no entanto, de ter sido abandonada pelos petistas. De fato, nas últimas horas que passou no governo não houve apoio público de parlamentares do partido. Os que falaram sobre o caso cobraram explicações de Matilde.
- Se alguém tem alguma coisa a explicar, que se explique - afirmou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).
Somente após a demissão o PT divulgou nota de solidariedade a Matilde. "As eventuais irregularidades cometidas no uso do cartão corporativo - que devem ser apuradas pelos órgãos de controle, com as medidas cabíveis ao final da investigação - motivaram ataques e insinuações em tom abertamente preconceituoso, não só contra a ministra, mas contra a própria existência da secretaria", diz o texto, assinado pelo presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP).
O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) disse que conhece Matilde da militância, onde ela sempre foi muito querida e respeitada. Para ele, no entanto, cada um é responsável por seus atos.
- Ninguém fica abandonado pelo PT. Se cometo um equívoco, tenho que responder pelos meus atos. O partido é composto de seres humanos, passíveis de erros e acertos. Se eu vou ao freeshop, alugo carro no feriado de Finados, tenho que me explicar. O governo e o PT não podem acalentar erros de ninguém - disse Devanir, um dos petistas mais próximos de Lula.
Paulista do interior, Matilde Ribeiro viveu boa parte da infância e juventude em Osasco e militou também em Santo André. É assistente social e fez mestrado em psicologia social na PUC/SP. Em São Paulo, foi ativista do movimento de mulheres e do movimento negro do PT. Trabalhou na elaboração do programa de governo da campanha do presidente Lula de 2002, e participou da equipe de transição de governo. A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) saiu do papel em março de 2003.
Um dos momentos polêmicos de sua gestão ocorreu em março do ano passado, quando, em entrevista à BBC Brasil, Matilde afirmou não ver como uma atitude racista a discriminação de negros contra brancos. A afirmação rendeu até um processo no Ministério Público do Distrito Federal, arquivado em janeiro último. (Isabel Braga e Maria Lima)