Título: Governo contrata estudo para reduzir gastos
Autor: Paul, Gustavo
Fonte: O Globo, 03/02/2008, O País, p. 8

Instituto de consultor mineiro terá 15 meses para apresentar propostas; objetivo é economizar R$600 milhões

BRASÍLIA. O governo federal ainda não conseguiu tapar o rombo de R$40 bilhões com o fim da CPMF, mas já começou a implementar uma série de medidas para tentar melhorar a eficiência da máquina administrativa e tentar equilibrar as contas em 2009.

Esse processo, que vinha sendo tocado lentamente desde o final do ano passado, ganhou importância depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu, no início de janeiro, ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que acionasse medidas para a administração pública fazer mais com menos recursos. Serão providências complexas e estão sendo implementadas desde a semana passada, mas só terão efeito a médio prazo.

Jorge Gerdau sugeriu a Lula que contratasse Falconi

A primeira delas foi a contratação do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), do consultor mineiro Vicente Falconi, para criação de parâmetros de gastos a serem aplicados a todos os ministérios. É um trabalho conjunto com a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) e implica uma detalhada radiografia dos gastos de custeio do governo.

Falconi, considerado o maior especialista em gestão de custos e de processos do país, ganhou notoriedade nacional depois que o empresário Jorge Gerdau Johannpeter sugeriu que o governo o contratasse para formular políticas para melhorar a gestão da Previdência Social e reduzir seu rombo. Sua empresa já prestou serviços aos governos tucanos de Minas e do Ceará e a várias prefeituras. No âmbito federal, assessora o Ministério do Desenvolvimento Social, do petista Patrus Ananias.

O INDG terá 15 meses para achar meios de reduzir gastos com energia elétrica, telefonia, combustível, limpeza, conservação, segurança e outros itens do dia-a-dia. O governo quer que ele faça isso o quanto antes. Só com energia elétrica, a conta federal é de R$1 bilhão por ano. Em 2007, a fatura com limpeza, conservação e vigilância foi de R$1,8 bilhão, e com equipamentos de informática R$3,2 bilhões.

"Eficiência é economizar recursos públicos"

O Ministério do Planejamento mira em uma economia de pelo menos R$600 milhões com esse custeio. Segundo o secretário de Gestão do Ministério, Francisco Gaetani, o contrato com o INDG ataca uma área estratégica da administração:

- O INDG vai trabalhar no DNA das contas públicas, que é a Secretaria de Orçamento Federal. Eficiência é também uma forma de economizar recursos públicos - diz Gaetani.

Um dos sinais de que a gestão da máquina pública ganhará importância no dia-a-dia da Esplanada será dado esta semana. Gaetani, doutor em administração pública pela London School of Economics, e ex-consultor da ONU, será promovido a secretário-executivo adjunto do Ministério do Planejamento. Caberá a ele tocar as medidas aprovadas pelo ministro Paulo Bernardo.