Título: Tuma abre investigação sobre Lobão Filho
Autor: Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 07/02/2008, O País, p. 9
Corregedor do Senado diz que não valerá argumento de que acusações são sobre fatos ocorridos antes da posse. -
BRASÍLIA. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), abriu ontem procedimento de investigação sobre o novo senador Edison Lobão Filho (DEM-MA). Segundo Tuma, a apuração vai se basear nas diversas reportagens publicadas na imprensa e na investigação que vem sendo feita pela Receita Federal e pela Polícia Federal. Para Tuma, não pode valer o argumento de que fatos supostamente irregulares cometidos por Lobão Filho ocorreram antes de ele assumir o mandato de senador.
- Essa alegação de que foi coisa do passado é constrangedora. Não interessa se é passado ou presente, temos que investigar - afirmou Tuma.
Corregedor pedirá documentos à PF e à Receita
Lobão Filho é suplente e assumiu o mandato no lugar do pai, Edison Lobão, novo ministro de Minas e Energia.
Tuma disse que hoje enviará pedidos para que a Receita, a PF, a Polícia do Maranhão e o Ministério Público mandem ao Senado a documentação relativa às investigações e ao inquérito que corre sobre o senador. Entre as denúncias está a de que Lobão Filho passou uma empresa para o nome de um laranja.
O senador Lobão Filho entrou ontem com petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pedindo que o tribunal declare a existência de justa causa para se desfiliar de seu partido, o DEM. No documento, diz que se filiou ao partido há mais de 18 anos e que está sendo vítima de uma campanha difamatória. Alega ainda que os dirigentes do DEM, em diferentes reportagens, deixaram claro que querem sua saída da legenda.
Lobão Filho acrescenta que, antes mesmo de assumir o mandato, os dirigentes declararam que ele votaria a favor do governo e contra os interesses do DEM. "Sem qualquer fato concreto estou sendo vítima de grave discriminação pessoal pelo fato de ser filho de um ministro de Estado do governo Lula", diz a petição, que terá como relator o ministro Gerardo Grossi.
Ao pedir a declaração de justa causa ao TSE, o senador maranhense busca se preservar numa eventual ação do DEM para retomada de seu mandato, alegando infidelidade partidária. O DEM já informou que não fará isso.