Título: Serra suspende saques com cartões em SP
Autor: Freire, Flávio
Fonte: O Globo, 12/02/2008, O País, p. 5
GASTOS SEM CONTROLE: Comissão vai analisar as despesas, que serão divulgadas na internet a partir de maio.
Decisão foi tomada para fazer um balanço, diz governador, e não por ter sido descoberta alguma irregularidade.
SÃO PAULO. O governador José Serra (PSDB) decidiu ontem suspender os saques em dinheiro que podem ser feitos pelos 43 mil funcionários públicos que usam cartão de débito corporativo. Dizendo que nenhum instrumento de compra pública é imune ao desvio de comportamento, Serra afirmou que a decisão foi tomada para que o governo possa "tomar pé" da situação e não por ter sido descoberta qualquer irregularidade.
- Mandei suspender os saques em dinheiro para poder fazer um balanço sobre esse assunto. Não porque foi detectada até agora alguma irregularidade, que pode até haver, mas para tomar pé da situação. Até para que possamos fazer de alguma forma mais compreensível para a mídia e para a população - disse Serra, que falou pela primeira vez sobre o assunto desde quinta-feira, quando o PT, em defesa do governo federal, denunciou gastos de R$108 milhões com cartões de débito em São Paulo.
Para o governador, a utilização do cartão deve ser considerada um avanço do ponto de vista do controle de gastos públicos. Ele criticou o comportamento do PT em São Paulo, a quem acusou de ter divulgado as informações sobre os gastos no governo paulista só para fazer uma cortina de fumaça "em relação às lambanças inquestionáveis que surgiram em Brasília".
Serra disse que a soma dos saques em caixas eletrônicos é baixa, mas que ainda não foi feito um levantamento proporcional em relação ao total de gastos, pois boa parte do que está registrado como saque não passa de débitos bancários.
A suspensão dos saques ainda não entrou em vigor e o governador não informou por quanto tempo a medida vai durar. Tudo vai depender de uma avaliação que será feita por uma comissão formada pelos secretários de Justiça, Fazenda, Planejamento e Casa Civil. Serra lembrou que pediu, na semana passada, que todos os dados sejam divulgados na internet, e não apenas num sistema cujo acesso é exclusivo aos partidos políticos. A divulgação na internet deve ocorrer a partir de maio deste ano.