Título: PF vai montar força-tarefa
Autor: Carvalho, Jailton de; Aggege, Soraya
Fonte: O Globo, 16/02/2008, Economia, p. 33

Equipe de investigação ganha reforço para desvendar furto de informações da Petrobras.

Depois de se reunir ontem pela manhã com representantes da Petrobras, o diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, decidiu reforçar a equipe da delegada Carla Dolinski, de Macaé, encarregada de investigar o sumiço de computadores com informações estratégicas da estatal. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que tudo indica se tratar de espionagem industrial. Mais tarde, perguntada sobre que indícios o governo teria, ela recuou, argumentando que "o governo não faz investigações".

- Nós achamos lamentável. Porque todos os indícios parecem indicar que se trata de espionagem industrial - disse Dilma, ressaltando não acreditar que as informações furtadas poderão prejudicar o país. - Eles vão fazer o quê? Vai chegar uma pessoa lá e explorar? Não. É muito ruim isso ter acontecido, mas não há catástrofe. Não tem o menor sentido transformar isso (em catástrofe).

Se a Petrobras seguiu os procedimentos de segurança previstos, existe a possibilidade de os computadores furtados estarem vazios. Segundo um executivo de uma empresa parceira da estatal, os procedimentos determinam que, ao se transportarem esses equipamentos, seja limpa toda memória do aparelho. Segundo o executivo, não se transporta computador contendo informações importantes em contêiner. Ele disse ainda que, para levar essas informações para serem analisadas em outro lugar, o correto seria transportá-las nos chamados discos rígidos, por um funcionário, não em um contêiner. Além disso, lembra que os dados de qualquer etapa de perfuração têm em geral mais de um tera de memória, ou seja, mais de um milhão de gigabytes.

Informações sobre equipamentos divergem

Dirigentes da estatal e altos funcionários do governo estão insatisfeitos com a falta de resultados da apuração chefiada pela delegada. Até agora, 16 dias depois da constatação do furto, a PF não tem pistas seguras. Corrêa ofereceu à delegada reforço especial da equipe.

- Colocamos à disposição dela os recursos que forem necessários - disse um delegado da cúpula da PF.

Delegados mais experientes da PF concordam que há lentidão das investigações. Para eles, a diretoria da PF deveria ter, desde o início, destacado uma equipe especial de delegados e peritos, com apoio direto da Divisão de Inteligência. Tem havido também divergência de informações. Enquanto fontes da PF falam em quatro notebooks e dois pentes de memória, a Petrobras, em comunicado aos funcionários, menciona dois notebooks e um pente de memória.

A PF começou a ouvir os envolvidos no furto, mas não divulgou os nomes dos interrogados. Segundo fontes, o funcionário da Petrobras Fernando Luiz Lima Blanc, responsável pelo setor de investigações e sindicâncias da estatal, será um deles. A delegada Carla Dolinski negou-se a falar com a imprensa ontem, limitando-se a dizer que "o inquérito é sigiloso". Na véspera, ela concedeu uma série de entrevistas. Há rumores de que a grande repercussão teria levado a Petrobras a pedir silêncio à PF.

O furto foi descoberto em 31 de janeiro, informado à PF no dia 1º, mas o inquérito só foi aberto no dia 7 de fevereiro. Os equipamentos, que estavam sob a responsabilidade da americana Halliburton, teriam desaparecido no trajeto entre a Bacia de Santos e Macaé. A Halliburton, uma das poucas empresas que fazem serviços de perfuração para a Petrobras, não se pronunciou.

Dilma também argumentou que as mudanças em novas licitações de campos de petróleo não serão feitas por causa do furto:

- Nós jamais iríamos licitar (áreas perto de) Tupi e Júpiter nos padrões anteriores. E não decorre desse sumiço de documentos, mas da percepção clara de que o país tem de preservar uma riqueza de proporções significativas.

Em São Paulo, a ministra Dilma afirmou ainda que "progressivamente o governo vai reajustar o preço do gás natural veicular (GNV)".

SÓCIA DA PETROBRAS EM TUPI NÃO FOI INFORMADA, na página 34

(*) Enviada especial