Título: Trajeto de contêiner será refeito
Autor: Carvalho, Jailton de
Fonte: O Globo, 17/02/2008, Economia, p. 32

PF retoma amanhã depoimentos das três empresas envolvidas.

MACAÉ. A Polícia Federal (PF) começa esta semana o trabalho de campo para investigar o sumiço dos computadores da Petrobras. Será percorrido todo o trajeto feito pelo contêiner em que estavam os computadores, de uma sonda na Bacia de Santos à cidade de Macaé, no Estado do Rio. Agentes de Macaé e dos municípios por onde o contêiner passou serão mobilizados na operação. A PF também retoma amanhã os depoimentos das pessoas envolvidas no caso, mas não revela os nomes das pessoas que serão ouvidas. A lista inclui funcionários da Petrobras, da Halliburton, sob cuja responsabilidade estava o contêiner, e da Transmagno, que fez parte do transporte.

Há expectativa de que agentes da PF sejam enviados a Macaé, já que a delegacia da instituição no município está com a equipe reduzida - é de 50 pessoas, mas cerca de 20 estão em missão externa. Entre os que devem ser ouvidos está o responsável pelo setor de investigações e sindicâncias da Petrobras, Fernando Luiz Lima Blanc, que registrou a queixa no Rio, dando início à investigação. Em geral, os depoimentos são tomados entre terça e quinta-feira. Mas, devido à proporção do caso e o elevado número de depoimentos, será aberta uma exceção. O primeiro depoimento já foi tomado, na sexta-feira. Não foi divulgado o nome ou a relação do depoente com o furto.

Está confirmado que o contêiner com computadores da Petrobras contendo informações confidenciais saíram de uma sonda da Bacia de Santos em 18 de janeiro, chegando ao Rio em 25 do mesmo mês. Essa parte do trajeto foi feita em navio. O contêiner seguiu para Macaé por terra, em uma carreta da Transmagno, chegando em 30 de janeiro. Apenas no dia seguinte funcionários da Halliburton perceberam que os cadeados haviam sido violados. No dia 1º de fevereiro um funcionário da Petrobras registrou queixa do furto na sede da PF no Rio. O inquérito foi aberto no dia 7.

Não se sabe se o furto ocorreu em alto-mar, na estrada ou no galpão da Transmagno ou no da Halliburton. Também não está clara a localização exata da sonda. Suspeita-se de que ela estivesse nos recém-descobertos campos de Tupi ou Júpiter, ambos na camada pré-sal e com potencial de produção promissor.

A investigação está sendo conduzida pela delegada interina Carla Dolinski, que substitui o delegado Elber Pinto Nunes, em férias. Halliburton e Transmagno não se manifestaram até agora. A Petrobras limitou-se a divulgar nota na quinta-feira, em que confirma o furto.