Título: Ministro: governo estrangeiro pode estar por trás do furto na Petrobras
Autor: Carvalho, Jailton de
Fonte: O Globo, 17/02/2008, Economia, p. 32

A auxiliares próximos, Tarso Genro disse que desconfia de interesses internacionais.

BRASÍLIA. O sumiço de computadores com informações estratégicas da Petrobras pode ser um caso muito mais grave que uma simples guerra comercial de empresas interessadas no disputado mercado do petróleo mundial, ainda mais depois da descoberta do megacampo de Tupi, na Bacia de Santos. Para o ministro da Justiça, Tarso Genro, existem indicações, embora ainda não definitivas, de que governos estrangeiros estariam interessados nos segredos da estatal brasileira. Se as expectativas sobre as reservas do campo de Tupi forem confirmadas, o Brasil poderá entrar no seleto grupo dos oito maiores produtores de petróleo do mundo. Estima-se que Tupi tenha reserva de 5 bilhões a 8 bilhões de barris de óleo equivalente (óleo e gás). Para efeito de comparação, o Brasil tem reserva de 14 bilhões de barris.

- Não é um caso só de espionagem de empresas que querem entrar em licitação. São interesses geopolíticos - disse Tarso Genro, na sexta-feira, numa conversa com um de seus auxiliares.

Segundo um desses assessores, a afirmação do ministro é uma suposição com base nas informações recebidas até agora. O ministro da Justiça conversou ontem, por telefone, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava em Punta Arenas, no Chile, aguardando possibilidade de embarcar para a Antártida. Na conversa, o ministro fez o relato do andamento das investigações e das hipóteses que estão cogitadas pela Polícia Federal (PF).

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também está participando da apuração. Tarso e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, passam relatos diários ao presidente sobre o caso.

Investigação terá supervisão da cúpula da PF

A conclusão definitiva sobre o roubo dos dados sigilosos da Petrobras dependerá do inquérito aberto pela Polícia Federal em Macaé, no dia 7 deste mês. O comando das investigações é da delegada Carla Dolinski. Mas, diante gravidade do caso, Tarso Genro e o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, decidiram intervir.

A delegada continuará formalmente à frente do inquérito, mas terá a supervisão direta da cúpula da PF em Brasília. Um dos diretores da PF foi designado para acompanhar cada passo da investigação e sugerir novas providências. A ordem é pôr toda a máquina de investigação da PF em busca de indícios mais concretos que levem aos criminosos. Tarso Genro e Corrêa entenderam que, sozinha, Carla Dolinski não teria condições de esclarecer o crime na urgência requerida pelo caso.

O sumiço dos computadores, com dados preciosos da Petrobras, foi descoberto no dia 31 de janeiro. Mas a PF de Macaé só instaurou o inquérito no dia 7. Os equipamentos estavam sob a guarda da empresa Halliburton. Eles teriam sido furtados quando o contêiner estava entre a Bacia de Santos, em São Paulo, e Macaé, no Rio.