Título: Dúvidas intrigantes
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 29/04/2009, Mundo, p. 20
Tudo o que se conhece sobre o vírus H1N1 são o seu ¿retrato¿ ¿ divulgado ontem pelo Centro para Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, pela sigla em inglês) ¿ e o fato de que ele mistura o DNA dos vírus das aves, dos porcos e dos humanos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda não tem ideia de como o vírus surgiu. A suspeita recai sobre a morte de uma mulher no estado mexicano de Oaxaca, em 13 de abril. Ela ou alguém com quem teve contato teria sido infectado ao manusear um porco contaminado no abatedouro ou na zona rural. Outra questão surge como quebra-cabeças para os cientistas: por que o vírus H1N1 matou 152 pessoas no México e não fez nenhuma vítima em outro país?
Para Christian Sandrock, especialista em doenças infecciosas e pulmonares do Centro Médico da Universidade da Califórnia, a resposta pode associar o comportamento de alguns mexicanos ao sistema de saúde do país. ¿Creio que os pacientes que acabaram morrendo procuraram ajuda tarde demais ou, pelo fato de serem de uma classe socioeconômica baixa, não teriam recebido cuidados médicos adequados¿, arriscou o cientista, em entrevista ao Correio por e-mail. ¿Eles deviam ter inclusive outras doenças não detectadas, que os colocava sob risco.¿
Yi Guan, diretor do Laboratório de Doenças Infecciosas Emergentes da Universidade de Hong Kong, acredita que o motivo para a alta letalidade da ¿variante viral mexicana¿ envolveria mecanismos evolutivos do H1N1. ¿Normalmente, no estágio inicial depois da transmissão entre as espécies ¿ de animais para homens ¿, o vírus é relativamente mais letal para humanos. Depois da contaminação entre homens, a virulência cai ou se torna moderada¿, comentou. ¿A resposta a essa questão está ligada à evolução do H1N1, à adaptação de um novo hospedeiro e ao nível de imunidade dos hospedeiros.¿
Uma compreensão do vírus depende do conhecimento do número real de pessoas expostas no México. ¿Se for alto, isso sugeriria que muitos têm a doença em estágio moderado ou insignificante, o que sugere queda na taxa de mortalidade¿, afirmou o microbiólogo norte-americano David Topham. ¿Os poucos casos nos EUA e em outros países indicam que o H1N1 não é tão letal. Mas, de qualquer modo, houve poucos casos fora do México para uma avaliação precisa.¿ (RC)