Título: CPI ameaça paralisar agenda legislativa
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 18/02/2008, O País, p. 4
Eleições, disputa política e pauta trancada por MPs também dificultam trabalhos de plenário.
BRASÍLIA. Que este ano seria um ano de menor rendimento legislativo, ninguém duvidava. Mas a CPI do Cartão Corporativo é uma ameaça concreta de paralisia dos trabalhos de plenário e de exclusão da maioria dos parlamentares - os que não estarão sob os holofotes da mídia. Os que não são candidatos às eleições municipais, ou não estão entre os 48 titulares e suplentes da CPI, terão que se esforçar para mostrar trabalho.
A maioria sabe que eleições, CPI, disputa política entre governo e oposição e pauta trancada por medidas provisórias dificultarão a agenda legislativa. Os excluídos, porém, depositam a esperança na capacidade de articulação do presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP) e dos líderes partidários para se alcançar um resultado menos desastroso para a Casa.
- É difícil conseguir trabalhar plenamente em ano eleitoral, mas tenho esperança de que não seja assim este ano. É preciso um esforço conjunto até para melhorar a imagem do Congresso - diz Perpétua Almeida (PCdoB-AC), deputada que pouco aparece mas é sempre presente no plenário e nas comissões.
Experiente, o tucano Jutahy Junior (BA) não acredita numa agenda legislativa importante este ano, e culpa o governo por isso. Diz que o problema é a falta de um projeto para o país:
- O governo não tem agenda legislativa e, num regime presidencialista, quem toca a pauta é o Executivo. Mas a legitimidade do meu mandato me permite estar aqui, falando.
Há os que acreditam que a menor atividade no Congresso poderá contribuir para outras ações importantes do Legislativo. É o caso do deputado Miro Teixeira, que pretende terminar o trabalho de consolidação das leis brasileiras. Outros, como o próprio Chinaglia, tentarão vencer a paralisia avançando em temas polêmicos. É o caso da comissão especial que analisará a mudança no rito das medidas provisórias. A idéia é votar a emenda este semestre.
Ainda que a CPI paralise votações, trabalho não falta nas dezenas de comissões temáticas da Câmara e do Senado, diz o petista Dr. Rosinha (PR), avisando que "quem quiser trabalhar, sem holofotes, terá muito o que fazer este ano".