Título: Na Sudam e na Sudene, indicações políticas
Autor: Lima, Maria
Fonte: O Globo, 21/02/2008, O País, p. 5

Órgãos extintos por denúncias de corrupção e agora recriados tiveram seus cargos de comandos loteados entre aliados

BRASÍLIA. Recriadas e com orçamentos bilionários para 2008, Sudam e Sudene começam a funcionar este mês com alguns dos vícios do passado. Os cargos de comando dos dois órgãos, alvos de escândalos de corrupção envolvendo políticos como o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) no passado, foram todos loteados por indicações políticas negociadas pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, com líderes da base. As nomeações das principais diretorias foram publicadas ontem no Diário Oficial da União, mas a posse, junto com a do novo superintendente da Sudene, Paulo Fontana, aconteceu dia 12, em Recife.

Fontana é indicação pessoal de Geddel, com o apoio do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).

- Ele é meu, Jaques foi de acordo. Se os novos dirigentes são indicações políticas? São. Mas não no sentido do toma-lá-dá-cá. Tenho que nomear e não tenho nomes para tanto cargo, por isso recebo sugestões - disse Geddel.

Empresário nomeado diretor é primo de José Múcio

O empresário Romulo Dourado Queiroz de Monteiro Filho, diretor de Gestão de Fundos Constitucionais da Sudene, é primo do ministro das Relações Institucionais José Múcio Monteiro, e do deputado Armando Monteiro (PTB-PE), presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNI). Apesar de ser primo dos dois, é mais ligado a Armando Monteiro.

- É um homem de bem, probo, um empresário competente. Foi uma indicação do PTB de Pernambuco - disse Múcio.

Ao governador de Sergipe, o petista Marcelo Déda, coube a indicação de Saumineo Nascimento para a diretoria de Administração da Sudene. Apesar da nomeação no D.O. de ontem, ele continua como superintendente do BNB em Sergipe, e só assumirá o novo cargo em meados de março. O decreto de recriação do órgão prevê a existência de mais uma diretoria, que deverá ser preenchida por alguém indicado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Saumineo admite que foi convidado por Déda, mas jura que vai fazer tudo diferente para limpar a imagem do órgão. O orçamento da Sudene para este ano é R$6 bilhões, mas ele disse que a nova administração vai trabalhar para captar também recursos externos para investimento no setor produtivo na região.

O novo diretor estima que esse trabalho pode render mais R$30 bilhões via Banco do Brasil, CEF e BNB, o principal braço financeiro da Sudene.

- Entrei no BNB com 15 anos e estou lá há 29. Sou professor-doutor em Geografia. Estou assumindo com os melhores propósitos para, com pulso firme, não deixar que jamais venha a ocorrer de novo o que ocorreu no passado. Vamos fazer uma verdadeira revolução nesta gestão - promete Saumineo.

Na Sudam, que teve seus cofres sangrados no passado com o desvio de milhões de projetos que nunca saíram do papel, a composição dos cargos não foi diferente. Pedro Calmon Pepeu Vieira Santana, diretor de planejamento, e Georgett Mota Cavalcanti, diretor de administração, foram indicados pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi.

- Não tem Sudam ou Sudene sem os governadores. Como vou fazer uma coisa hostil a eles? - disse Geddel.