Título: Gás: ajuda à Argentina, se houver sobra
Autor: Figueiredo, Janaína; Oliveira, Eliane
Fonte: O Globo, 22/02/2008, Economia, p. 28
BUENOS AIRES. Um dia antes do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, o ministro Celso Amorim garantiu que o Brasil poderia socorrer a Argentina numa possível crise energética, sempre e quando não exista risco de uma crise de abastecimento no mercado brasileiro. Amanhã, depois de terem conversado sobre o assunto na véspera, Lula e Cristina se reunirão com o presidente da Bolívia, Evo Morales, que já disse não ter como aumentar a oferta de gás para os dois mercados.
- O limite de nossa capacidade de ajuda é não ter problemas graves no Brasil. No momento, o gás contratado com a Bolívia é necessário no Brasil, mas não podemos prever o que vai acontecer dentro de três ou quatro meses. Boa vontade existe - disse Amorim, após o encerramento da Cúpula de Países Árabes e do Mercosul, encerrada ontem, em Buenos Aires.
O contrato do Brasil com a Bolívia prevê a oferta diária de até 30 milhões de metros cúbicos. Embora a média comprada varie de 27 milhões a 29 milhões de metros cúbicos, o governo e a Petrobras resistem a reduzir o volume, já que, no inverno, a demanda cresce, sobretudo das indústrias paulistas. A Argentina, que hoje compra cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos diários de gás, também prevê expansão de sua demanda no inverno e pediria ao Brasil que cedesse parte de sua cota.
- O Brasil tem a maior boa vontade para ajudar seus parceiros do Mercosul, sobretudo a Argentina, mas temos de tratar também do nosso abastecimento - explicou Amorim.
No ano passado, a Argentina passou por um apagão, e o Brasil forneceu energia elétrica.
Uma resistência do Brasil agora poderia prejudicar os interesses da Petrobras na Argentina. Segundo versão publicada ontem pela imprensa local, caso o Brasil não ceda parte de suas importações de gás boliviano, o governo Kirchner criaria obstáculos às operações da estatal brasileira, uma vez que a Petrobras é grande consumidora de gás natural no país.
*Correspondente **Enviada especial