Título: Lula é só elogios ao... próprio governo
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Fonte: O Globo, 20/02/2008, O País, p. 5

"É importante que banqueiros ganhem dinheiro"

VITÓRIA. O presidente Lula não economizou ontem elogios ao próprio governo. Um dia depois do resultado da pesquisa CNT/Sensus, que apontou crescimento de sua popularidade, e impulsionado pelos elogios do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), Lula, em discurso de 38 minutos, disse que no Brasil não se fala mais em inflação e que a economia não cresce mais sustentada pela especulação financeira.

- Neste país já não se fala de inflação, da dívida externa. Passei 20 anos da minha vida carregando uma faixa: "Fora FMI". Fui eu que mandei ele embora, e sem nenhuma bravata. Alguém me viu fazendo discurso? Não, não fiz, porque como chefe de Estado eu não posso me comportar como quando eu era militante, que eu falava o que queria. Agora eu tenho que falar o que posso falar, só.

Hartung afirmou que a pesquisa era "uma referência ao que estamos vivendo":

- O senhor é uma força da natureza. O senhor deu conta do recado.

Lula devolveu:

- Se eu chego à Presidência e acontece um governo totalmente fracassado, como alguns queriam que fosse, iríamos levar cem anos para levantar a cabeça outra vez - disse. - Se a pobreza tornasse o homem violento, eu seria muito violento. E sou um homem tranqüilo.

Lula afirmou que é complacente com a oposição:

- Não acho ruim que as pessoas sejam contra, porque, quando a gente é oposição, é difícil aceitar que o governo dê certo. E fui oposição muito tempo. É uma desgraceira, porque você não pode falar bem do governo, mas também não pode falar mal. Então tem que ficar futucando; tentar procurar pêlo em ovo.

Lula afirmou que considera importante que os banqueiros ganhem dinheiro:

- Acho importante que os banqueiros ganhem dinheiro, porque quando eles perdem, o povo paga. Se um rico tiver R$1 bilhão, vai aplicar. Se for em título, só ele fica rico. Agora, pega R$1 bilhão e divide entre os pobres... Quando o pobre ganha R$10, aquilo não se transforma em conta de banco, mas em arroz, feijão, caderno. Ao citar os critérios de distribuição de verbas do PAC, Lula disse que "o maquiavelismo político" atrapalha o desenvolvimento. Deu como exemplo o caso do Rio:

- É só ver quanto o Cesar Maia está recebendo. Todo mundo sabe que o prefeito é um ferrenho adversário. Entretanto, está recebendo mais dinheiro que o João Coser (prefeito de Vitória, do PT).