Título: Dólar cai pelo 5º dia seguido e fecha a R$1,707
Autor: Rangel, Juliana
Fonte: O Globo, 23/02/2008, Economia, p. 37

Com fluxo de investimentos estrangeiros, moeda chega a ser negociada por R$1,694 durante o dia.

RIO e NOVA YORK. Completando uma semana de quedas consecutivas, o dólar comercial teve ontem mais um dia de desvalorização e chegou a ser negociado a R$1,694 pela manhã. O principal motivo foi a entrada de investidores estrangeiros na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Mas a demanda de bancos comprometidos com a venda da moeda no mercado futuro e um leilão de compra do Banco Central (BC) levaram o dólar a uma leve recuperação. A moeda fechou em baixa de 0,29%, a R$1,707, no menor patamar desde 21 de maio de 1999. Na semana, a queda acumulada foi de 2,62%. Só nos últimos dois dias, o Banco Central (BC) comprou cerca de US$720 milhões.

Já a Bovespa chegou a cair, embalada pelo pessimismo no mercado americano. Mas passou a subir à tarde e fechou na máxima do dia, com alta de 1,28%, aos 64.608 pontos. O risco-Brasil caiu 3,65%, para 246 pontos centesimais.

Para o gerente de câmbio da corretora Liquidez, Francisco Carvalho, o mercado continuará testando a barreira de R$1,70 para o dólar:

- Há um fluxo positivo de entrada de recursos de todos os lados. Não duvido que a moeda caia a R$1,68 ou R$1,69 na semana que vem, se o cenário externo se mantiver estável.

Bovespa se descolou dos EUA, diz economista

Para o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, o mercado está considerando os bons fundamentos da economia brasileira, especialmente depois da notícia de que o Brasil reuniu recursos suficientes para pagar sua dívida externa.

- Estamos percebendo um certo otimismo desde o início da semana, com rumores de que o país obterá o investment grade (grau de investimento, que aponta baixíssimo risco de calote, conferido por agências classificadoras de risco) - diz Campos Neto.

Ele destaca que, só esta semana, o Ibovespa acumulou ganho de 5,44%, contra 0,26% do Dow Jones, índice da Bolsa de Nova York. No ano, a Bolsa brasileira já sobe 1,13%, contra perda de 6,6% do Dow Jones.

Ontem, os mercados de Nova York acabaram fechando em alta, depois de passar quase todo o pregão em baixa devido a dados econômicos da véspera e ao rebaixamento da avaliação das empresas hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac. A mudança ocorreu depois que a rede CNBC informou que um grupo de bancos pode socorrer a seguradora de títulos Ambac na semana que vem. Dow e S&P subiram 0,79% e Nasdaq, 0,16%.

Para Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Senior, o descolamento do mercado brasileiro do americano é de curto prazo:

- Tivemos bons indicadores, contra notícias ruins da economia americana. Aqui, saiu o projeto da reforma tributária, os dados de inflação mostram trajetória decadente e conseguimos alcançar um saldo credor na dívida externa. Lá fora, só houve indicadores ruins, como a fraca atividade manufatureira na Filadélfia e redução da estimativa de crescimento dos EUA pelo Federal Reserve (o BC americano).

Entre os papéis com maior alta ontem na Bovespa estiveram as ações da Vale: 2,09%, para R$51,15. A empresa fechou mais um contrato de reajuste do preço do minério de 65%, com a Baosteel, maior siderúrgica da China. Os papéis ordinários (ON) das Lojas Renner também foram destaque, com alta de 8,91%, a R$33,60. A companhia divulgou lucro de R$155,9 milhões em 2007, 57,8% mais que no ano anterior. Segundo relatório da corretora Ativa, a abertura de novas lojas resultou em aumento de 22% em sua receita, para R$1,751 bilhão.

Já os papéis ON da CSN recuaram 3,88%, para R$67,28. A recomendação de suas ações foi rebaixada de "compra" para "neutra" por dois bancos de investimento: Credit Suisse e Deutsche Bank.

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(*) Com agências internacionais