Título: Se porrada educasse, bandido saía da cadeia santo
Autor: Almeida, Cássia
Fonte: O Globo, 27/02/2008, Rio, p. 25

Ao falar sobre obras do PAC a serem realizadas em favelas cariocas, Lula diz que não fará "intervenção com a polícia"

Violência e trabalho deram o tom do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao visitar ontem o canteiro de obras da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), um investimento da ThyssenKrupp e da Vale de 3 bilhões, em Santa Cruz. Ao se referir à visita que fará ao Complexo do Alemão, à Rocinha e a Manguinhos na próxima semana, para lançar as obras do PAC, Lula disse que "se porrada educasse as pessoas, bandido saía da cadeia santo":

- Não vamos fazer intervenção com a polícia, não, vamos visitar o Complexo do Alemão, a Rocinha e Manguinhos para levar investimento de milhões e milhões de reais, para fazer casa, escola, rua, hospital, água, esgoto - disse o presidente. - O que educa as pessoas são oportunidades, são gestos de solidariedade.

Em julho do ano passado, ao anunciar a liberação de recursos para o PAC, o tom do presidente foi diferente. Em visita ao Rio, ele disse que não se combate o crime organizado jogando "pétalas de rosas", ao defender a política de enfrentamento adotada pelo estado.

No mesmo discurso ontem, para nove mil operários da obra, incluída no PAC, Lula disse que, se o estado não oferece oportunidades, o crime o faz:

- O ser humano vive à procura de oportunidade. Se o estado não oferece, se as empresas não oferecem, se a prefeitura não oferece, a bandidagem oferece.

Lula critica governo de Rosinha Garotinho

Ao elogiar o trabalhador brasileiro, Lula voltou a falar da violência:

- Muitas vezes, a gente a só vê na imprensa desgraça, notícia de que um bandido matou o outro, de que tem uma bala perdida, mas uma foto como essa (os milhares de trabalhadores no canteiro) mostra claramente que 99% do povo brasileiro são gente boa, tem família e quer trabalhar.

Lula criticou ainda o governo Rosinha Garotinho, dizendo que, com ele, não era possível fazer qualquer acordo. Aproveitou para elogiar o governador Sérgio Cabral.

- O Rio, na verdade, perdeu quatro anos, por que a gente não tinha como fazer acordo aqui. Este projeto da ThyssenKrupp (que está empregando 14.058 operários) é apenas o começo. No dia 31 de março, eu e Sérgio Cabral estaremos em Itaboraí começando a terraplenagem do maior pólo petroquímico da América Latina.

À tarde, Lula voltou a falar sobre PAC, dessa vez nas favelas cariocas:

- A gente quer entrar lá não com a polícia para bater em gente. A gente quer entrar, enquanto governo, oferecendo a mulheres, homens e jovens condições de eles terem acesso às coisas a que todo mundo tem direito: segurança, escola, rua, água, esgoto, que é o mínimo que a gente tem que fazer. E nós vamos fazer isso porque eu quero contribuir para mudar a cara do Rio de Janeiro.