Título: Reforço na proteção de informações
Autor: Ordoñez, Ramona; Novo, Aguinaldo
Fonte: O Globo, 04/03/2008, Economia, p. 17

BRASÍLIA. Os ministros da Justiça, Tarso Genro, e do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Félix, vão propor o reforço dos sistemas de proteção de informações sigilosas da Petrobras e de outras grandes empresas. Para eles, o furto de equipamentos da Petrobras expôs as fragilidades na proteção de dados.

- As empresas estratégicas brasileiras, sejam públicas, estatais ou privadas, têm que ser acompanhadas permanentemente. Tudo que pudermos fazer para ajudar e proteger nós, como governo, vamos fazer - disse Félix, após reunião com Genro.

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) está analisando as falhas, para apresentar um plano de proteção específico para a estatal. Para o diretor da Abin, Paulo Lacerda, um dos erros mais flagrantes foi a decisão de transportar os computadores com dados sensíveis num contêiner. Lacerda entende que material tão importante teria que ser levado de helicóptero. A Abin também deverá propor que a Petrobras recorra à criptografia.

Depois do encontro, os ministros divulgaram uma nota em que reconhecem que a Petrobras foi vítima de um crime comum, não de espionagem. O ministério e o gabinete "entendem que o fato se reveste de gravidade, pois, se delinqüentes comuns puderam ter acesso a tais dados (...) é porque o sistema de guarda e segurança de materiais reservados revelou fragilidade". Os ministros sustentam que, mesmo sendo um crime comum, foi questão de Estado, porque pôs em risco interesses nacionais.