Título: Vale investirá R$5 bi em siderúrgica no Pará, a quarta usina da empresa
Autor: Damé, Luiza
Fonte: O Globo, 04/03/2008, Economia, p. 18

Governo vai destinar R$1,5 bi para obras de infra-estrutura no estado

BRASÍLIA e RIO. Em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, o presidente da Vale, Roger Agnelli, anunciou ontem a construção de uma usina siderúrgica para produção de placas de aço no Pará que consumirá R$5 bilhões em investimentos. Segundo a governadora do estado, Ana Júlia Carepa (PT), que participou do encontro, as obras da siderúrgica devem começar no próximo ano, e o governo federal prometeu investir mais R$1,5 bilhão em infra-estrutura, a maior parte já prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

- O interesse é que as obras comecem ainda no meu mandato e no do presidente - afirmou Ana Júlia.

Embora outros municípios do Pará estejam disputando o empreendimento, a tendência é que a usina seja implantada em Marabá. Na reunião, Agnelli disse que somente na elaboração do projeto e na preparação do estudo ambiental serão aplicados R$25 milhões. A expectativa é que essa fase seja concluída no primeiro semestre do ano que vem. A estimativa de produção anual é de 2,5 milhões de toneladas.

Nas demais usinas, Vale é minoritária

Dos investimentos federais necessários para implantação da siderúrgica, ao menos R$1 bilhão está no PAC, em projetos como a construção das eclusas de Tucuruí. Além da usina, serão implementados programas de inovação tecnológica e de formação profissional no estado, um investimento de R$500 milhões que será arcado pela própria Vale.

O cronograma de implantação da siderúrgica e dos projetos paralelos será acompanhado pela Casa Civil da Presidência. Para a governadora, o empreendimento vai impulsionar o desenvolvimento do estado.

- Nós somos a maior província mineral do mundo, mas não tínhamos investimentos para enraizar o desenvolvimento. A Vale tem interesse econômico no estado - disse Ana Júlia.

A estratégia da Vale na siderurgia é fomentar novos projetos no país para elevar o consumo de minério de ferro, principal negócio da empresa. Até agora, a mineradora já conseguiu tirar do papel três projetos, todos com parceiros internacionais e nos quais a Vale tem participação minoritária, de cerca de 10%.

No Rio, a Vale participa da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), com a alemã ThyssenKrupp. A usina está avaliada em US$4,2 bilhões e deverá entrar em operação em 2009. No Ceará, a Pecém Steel, em parceria com a coreana Dongkuk, começará a produzir também em 2009. O investimento é de US$2 bilhões. E no Espírito Santo, a Vale se associou à chinesa Baosteel para erguer uma usina de US$5 bilhões, com previsão de início de operação em 2011.