Título: Elogios e críticas
Autor: Oliveto, Paloma
Fonte: Correio Braziliense, 05/05/2009, Brasil, p. 11

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-ministro da Educação, acredita que a ideia do MEC é boa, mas ressalta que, sozinho, o projeto não resolve o problema do ensino médio no país. ¿É mais uma das coisas corretas do ministério, mas é insuficiente. Não adianta melhorar o ensino superior nem o médio se não melhorar o fundamental¿, diz. ¿Estamos trabalhando de cima para baixo na educação porque busca-se o voto e criança não vota¿, critica.

Para Cristovam, são necessárias mudanças mais intensas para recuperar o ensino médio. Ele cita o horário integral e a valorização do magistério, além da federalização da educação, projeto que defende no Congresso. ¿A carreira do professor seria federal, assim como as regras para o ensino. Já a gerência ficaria com os estados ou municípios. Se olhar o desempenho das 235 escolas federais no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vemos como se saíram bem. Mas o governo federal não quer esse abacaxi para descascar¿, acredita.

Já o sociólogo Jorge Werthein, doutor em educação e diretor-executivo da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana, acredita que os esforços do ministério são louváveis. ¿É um bom passo. É o reconhecimento do gargalo que o ensino médio representa na educação. Uma das situações mais difíceis é a diversidade de professores, cada um numa matéria e num horário ainda muito reduzido¿, diz. Sobre o aumento da carga horária proposto pelo MEC, de uma hora a mais por dia, Werthein diz que, se não for investido em qualidade, o tempo será perdido. ¿A pouca qualidade faz com que as horas a mais não tenham um impacto positivo no processo de aprendizagem¿, lembra. (PO)