Título: Equador pede condenação da Colômbia na OEA
Autor:
Fonte: O Globo, 05/03/2008, O Mundo, p. 29

Representante colombiano pede desculpas, mas acusa governos venezuelano e equatoriano de envolvimento com as Farc

WASHINGTON. No primeiro confronto diplomático internacional desde o início da crise no norte da América do Sul, o governo do Equador pediu ontem que a Organização dos Estados Americanos (OEA) condene oficialmente a Colômbia pela incursão militar que matou um dos principais dirigentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano. Por sua vez, o representante colombiano pediu "desculpas públicas" a Quito, mas reafirmou críticas ao governo dos presidentes Rafael Correa, do Equador, e Hugo Chávez, da Venezuela, entregando à instituição documentos que provariam ligações entre os governos com a guerrilha.

A representante do Equador na OEA, María Isabel Salvador, disse que novos pedidos de desculpas da Colômbia não seriam suficientes caso não fossem acompanhados por três condições: uma condenação da incursão militar por parte do Conselho Permanente da instituição pan-americana; a criação de uma comissão investigadora internacional e a convocação de uma reunião dos ministros do Exterior do continente.

- É preciso que haja a condenação da violação do território e da soberania do Equador por parte da Colômbia, e que seja designada de imediato uma comissão para verificar os acontecimentos - disse María Isabel Salvador, acrescentando que a reunião da OEA deve ocorrer "no mais tardar no dia 11 de março". - Um pedido de desculpas não será suficiente.

Venezuela acusa Colômbia de ação "genocida" no Equador

O representante colombiano na OEA, Camilo Ospina, concordou com a convocação de uma reunião. Porém, ao contrário do que fora sugerido por alguns governos - inclusive o brasileiro -, a Colômbia não se limitou a pedir desculpas, mas justificou o ataque:

- O governo colombiano já pediu desculpas públicas ao governo do Equador, e repete (o pedido) no dia de hoje.

Ospina fez, em seguida, uma defesa da ação militar.

- Meu país pede que as coisas sejam chamadas pelo nome. As Farc são uma máfia narcotraficante, que não representa os interesses do povo colombiano. São uma máfia sem pátria - disse Ospina. - É o caso de assinalar que a Colômbia tem sérios indícios de que na atualidade há acampamentos das Farc no território equatoriano.

Logo depois, disse que uma investigação apenas da incursão militar não seria aceita pelo país, que contrapôs a criação de uma "comissão de exploração de alternativas políticas".

Por fim, Ospina entregou ao organismo evidências de envolvimento dos governos de Venezuela e Equador com a guerrilha, dados conseguidos com o ataque ao líder da guerrilha no Equador. E ironizou:

- Que valor mostraram os presidentes do Equador e da Venezuela para expulsar nossos embaixadores, representantes de uma democracia legítima. Tomara que mostrem o meso valor para expulsar os terroristas de seu território.

O representante da Venezuela, Jorge Valero, disse que na incursão colombiana guerrilheiros foram "abatidos" devido à ação "genocida" da Colômbia. Sobre acusações de envolvimento com as Farc, afirmou:

- O governo da Colômbia mente de forma descarada.

O representante do Brasil, Osmar Chohfi, defendeu a resolução pacífica, mas condenou a invasão do território equatoriano, citando a Carta da OEA que afirma que "o território de um Estado é inviolável".