Título: Meta do PDT é dobrar de tamanho nas eleições
Autor: Camarotti, Gerson; Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 09/03/2008, O País, p. 13
Ida de Lupi para o ministério impulsiona crescimento.
BRASÍLIA. O PDT tem como meta política dobrar de tamanho nas eleições municipais deste ano. A cúpula do partido admite que esse crescimento será impulsionado com a volta da legenda ao governo Lula. No primeiro mandato do petista, capitaneados por Leonel Brizola, os pedetistas romperam o apoio ao governo, e a bancada na Câmara quase minguou. Com a ida, em abril do ano passado, de Carlos Lupi para o Ministério do Trabalho, o partido começou a atrair sindicalistas, construir uma grande estrutura nacional e tem muitos planos para o sindicalismo à frente dessa pasta. O PDT segue agora o caminho que já vem sendo trilhado pelos partidos governistas desde 2003.
Na últimas eleições, o PDT elegeu 24 federais, perdeu deputados no início de 2007, mas recuperou-se, e tem uma bancada de 25. Otimista, o secretário-geral da legenda, Manoel Dias, disse que o número de prefeitos e vereadores pedetistas deverá dobrar nesta eleição. Indagado se a ida de Lupi para o ministério ajudou e ajudará nesse crescimento, Dias afirmou:
- Lógico que melhorou. Estamos no governo. Feliz ou infelizmente, o poder fascina.
Partido espera eleger pelo menos 600 prefeitos
Hoje o PDT tem 305 prefeitos e aposta na eleição de pelo menos 600. Calcula sair dos atuais 2.480 vereadores para cerca de cinco mil. Em 2002, o partido tinha 974 mil filiados e manteve esse número até 2006. Em fevereiro de 2008, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, há 1,012 milhão de filiados.
Tradicionalmente, com a ajuda da máquina governamental, os partidos aliados conseguem crescer e ganhar mais filiados. De 2002 até agora, juntos, os governistas alcançaram cerca de 600 mil novos filiados - a base para o crescimento nas urnas. Nem mesmo as denúncias do escândalo do mensalão, que envolveram PT, PTB, PP e PL (hoje PR), alteraram as filiações partidárias. Pelo contrário.
O PR, por exemplo, cujo ex-presidente Valdemar da Costa Neto renunciou ao mandato para escapar da cassação, ganhou 215 mil novos filiados nesse período. O PT tem hoje 200 mil filiados a mais do que em 2002 e o PTB, 155 mil. Entre os partidos mais a esquerda, também houve crescimento: PSB, 43 mil; PCdoB, 76 mil e PV, 146 mil.
Dos partidos da base aliada, apenas o PMDB e PP perderam filiados nesse período, em torno de 120 mil cada. Mas continuam sendo os dois partidos com maior número de filiados no país: o PMDB tem 2,084 milhões e o PP, 1,269 milhão.