Título: Bolsa cai 3% e dólar sobe pelo 3º dia com notícias negativas dos EUA
Autor: Frisch, Felipe
Fonte: O Globo, 11/03/2008, Economia, p. 20
Bovespa volta a ficar abaixo dos 60 mil pontos. Dow Jones recua 1,29%
RIO, NOVA YORK, WASHINGTON, HONG KONG, LONDRES e BRASÍLIA. O cenário internacional fez o principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Ibovespa, cair quase 2 mil pontos no dia, ou 3,02%, e voltar a fechar abaixo dos 60 mil pontos, aos 59.999. Desde 8 de fevereiro, o mercado acionário brasileiro não fechava nesses níveis. Em Wall Street, uma nova onda de temores relacionados ao crédito derrubou os índices pela terceira sessão consecutiva, pressionando as ações para seu menor nível em 17 meses. O Dow Jones caiu 1,29%, para o pior patamar desde outubro de 2006, e o Nasdaq retrocedeu 1,95%, na menor pontuação desde setembro de 2006. As bolsas européias fecharam em queda acima de 1%, enquanto na Ásia houve recuo para níveis de até dois anos e meio atrás.
No Brasil, o dólar teve alta de 1,31%, para R$1,706 - a mesma cotação de 25 de fevereiro. O risco-país subiu 5,24%, para 281 pontos, nível que não era registrado desde 24 de maio de 2006. Foi a terceira queda seguida da Bolsa e a terceira alta consecutiva de dólar e risco.
As notícias que influenciaram negativamente o mercado vieram de poucos indicadores da economia americana, do setor financeiro e do petróleo, que bateu novo recorde e chegou a mais de US$108 em Nova York. Pela manhã, o Departamento de Comércio dos EUA divulgou uma elevação de 0,8% nos estoques do atacado em janeiro. A expectativa era de 0,5%. Além disso, representou uma alta de 6,4% ante janeiro de 2007. Já as vendas cresceram 2,7%.
Economistas projetam dólar a R$1,78 no fim do ano
Contribuíram para o pessimismo dos investidores os rumores - posteriormente negados - de que o Bear Stearns enfrenta problemas de liquidez. Já o Blackstone Group LP, gerenciador do maior fundo de compras alavancadas do mundo, disse que seus lucros caíram 89% no quarto trimestre de 2007, com retração das comissões por aquisições de empresas e baixa contábil das participações na seguradora Financial Guaranty.
Outra notícia veio do Lehman Brothers, que estaria demitindo 5% de seu quadro (ou 1.400 vagas). Segundo um relatório do Citigroup, o Lehman poderá ter baixas contábeis adicionais de US$1,6 bilhão. A análise também prevê U$3,2 bilhões de perdas para o Goldman Sachs, US$2,9 bilhões para a Merrill Lynch e US$1,2 bilhão do Morgan Stanley. No total, o Citigroup projeta perdas adicionais relacionadas ao setor imobiliário de US$9 bilhões no primeiro trimestre.
- As pessoas estão preocupadas com sinais de que o sistema financeiro não está se recuperando, e que os lucros fora do setor estão começando a ser atingidos - disse John Haynes, estrategista na Rensburg Sheppard Investment Management.
Na sexta-feira, aumentaram os temores de uma recessão a partir da maior contração do mercado de trabalho americano em cinco anos, o que elevou as expectativas de que o Fed (o banco central americano) irá cortar logo a taxa de juros. Com a intensificação desses temores, a Bolsa de Londres caiu ontem 1,24%, a de Frankfurt, 1,01%, e a de Paris, 1,13%. Na Ásia, o índice Nikkei, do Japão, fechou em queda de 1,96%, em seu pior nível desde setembro de 2005. Na China, as ações caíram 3,6%.
O Brasil registrou entre os dias 1º e 9 de março o terceiro déficit semanal consecutivo na balança comercial. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, o mês começou com resultado negativo de US$159 milhões, decorrentes de exportações de US$3,228 bilhões e importações de US$3,387 bilhões. No ano, o saldo está positivo em US$1,667 bilhão, 73% menos do que no mesmo período de 2007.
De acordo com o relatório semanal Focus do Banco Central (BC), os economistas puxaram novamente para baixo as estimativas para o dólar em dezembro - de R$1,79 para R$1,78. E elevaram de 4,41% para 4,42% suas projeções para o comportamento do IPCA.
COLABORARAM Henrique Gomes Batista e Patrícia Duarte, com agências internacionais