Título: A lei era discriminatória
Autor: Duarte, Fernando
Fonte: O Globo, 16/03/2008, O Mundo, p. 35

A proibição do uso do véu em universidades turcas foi a principal razão para que a estudante Fazilet Kilic fosse buscar no exterior obter seu diploma. Hoje formada em Comunicação Social pela Universidade de Greenwich, em Londres, Kilic atualmente trabalha como artista gráfica em Istambul. Mas ela se prepara atualmente ¿ com lenço e documento ¿ para fazer cursos de extensão em seu próprio país, a Turquia.

Como você recebeu o fim da proibição ao uso do véu em universidades turcas?

FAZILET KILIC: Foi uma sensação mista, pois a proibição me obrigou a ter que buscar minha educação superior no exterior. Nunca aceitei abrir mão de meus princípios e agora fico satisfeita em ver que as autoridades turcas finalmente acabaram com uma lei discriminatória.

Mas é compreensível que haja oposição ao que é visto por muitos como um recuo do secularismo turco diante da religião, não?

FAZILET: Discordo totalmente, pois vejo a aceitação da religiosidade como algo democrático e que além de tudo pode colaborar para que as pessoas entendam que nem todo muçulmano é um fanático. Muito pior é excluir das universidades mulheres que queiram ter acesso à educação e que desejem se integrar.

Você teme reações negativas contra estudantes usando o véu?

FAZILET: Creio que tudo será uma questão de diálogo. E vejo a situação se normalizando ao longo do tempo. Em relação à violência, não acredito em nada extremo, pois estudantes islâmicas costumavam usar chapéus para simbolizar sua fé nos tempos da proibição. Além disso, nunca ouvi falar de algo acontecendo em campi além de discussões acaloradas. Cabe também às estudantes turcas tentarem fazer o máximo para não ficarem isoladas. (Fernando Duarte)