Título: Gushiken depõe e se diz tranqüilo
Autor: Rios, Odilon
Fonte: O Globo, 18/03/2008, O País, p. 3

Ex-ministro e ex-deputado petista alegam inocência no mensalão.

SÃO PAULO. Depois de depor ontem por cerca de uma hora na 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República Luiz Gushiken disse que está confiante na sua absolvição no caso do mensalão. Ele é acusado de crime de peculato - usar o cargo público para obter vantagem indevida.

- Estou muito satisfeito com o resultado do depoimento. Estou confiante na minha absolvição, sobretudo porque quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitaram a denúncia contra mim. O próprio relator, Joaquim Barbosa, na ocasião, disse que, se fosse julgado meu caso, ele me inocentaria. Estou muito tranqüilo - disse, ao deixar a Justiça Federal em São Paulo.

O juiz Márcio Ferro Cataplani decretou sigilo no depoimento e proibiu a imprensa de acompanhá-lo. Gushiken disse ao juiz que a Secretaria de Comunicação da Presidência da República não era responsável pela destinação de verbas publicitárias de estatais e dos ministérios e não tinha poder decisório para a liberação de verba.

Gushiken afirmou que não tinha conhecimento de nenhum contrato com a Visanet e voltou a dizer que nunca esteve com o empresário Marcos Valério. Mas lembrou que a Secom fez reuniões com agências de publicidade e a empresa de Valério pode ter participado de alguns desses encontros.

O ex-deputado Professor Luizinho (PT-SP) também foi ouvido pelo juiz Márcio Cataplani, por ser mais um dos réus no processo do mensalão. Ele negou que tenha tido qualquer participação no caso.

- Estou tentando demonstrar a violência de querer considerar que é possível que o líder do governo tenha que receber para votar no próprio governo - disse o ex-deputado, depois do depoimento.

Professor Luizinho afirmou que está tranqüilo em relação à ação do Supremo Tribunal Federal (STF).

- Não tenho nada a ver com este processo. Não saquei, não mandei ninguém sacar nem pedi para ninguém sacar - disse o ex-deputado, incluído como réu porque a CPI dos Correios identificou um assessor seu, José Nilson Santos, como sacador de R$20 mil em uma agência do Banco Rural, em dezembro de 2003.

Também foi ouvida a ex-vice-presidente operacional do Banco Rural, Ayanna Tenório, que negou os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e formação de quadrilha. Seu advogado, Rodrigo Mendonça, disse que foi normal ela ter autorizado duas renovações de crédito para empresas de Valério, acusado de ser o operador do mensalão. Segundo ele, os procedimentos chegavam às mãos da ex-presidente com parecer favorável do comitê de crédito do banco.