Título: Taipé faz nova tentativa de voltar à ONU
Autor: Scofield Jr., Gilberto
Fonte: O Globo, 22/03/2008, O Mundo, p. 27
Ilha decidirá se quer tentar admissão como Taiwan e não mais como China
PEQUIM. Mais do que a escolha de um novo presidente, as urnas de Taiwan vão ser palco hoje de um referendo convocado pelo presidente Chen Shui-bian sobre a independência da ilha no Extremo Oriente. Desta vez, Chen quer saber se os eleitores taiwaneses concordam com a idéia de o governo da ilha se candidatar a um lugar nas Nações Unidas como República de Taiwan, e não mais como República da China. Ou se preferem a fórmula eternamente derrotada: Taiwan deixou a ONU em 1971, quando a Assembléia Geral reconheceu os comunistas como o governo legítimo da China, e desde então vem tentando voltar, sem sucesso.
Ilha é um país independente de fato, com governo próprio
Até algumas semanas atrás, as pesquisas indicavam que a maioria dos taiwaneses se mostrava cansada do ambiente de tensão eterna entre o continente e a ilha e preferia manter a situação como está hoje, ou seja, Taiwan não é um país reconhecido pela ONU nem pela maioria da comunidade internacional, mas tem sua moeda, suas eleições e seu governo independente ¿ apesar de ser considerado por Pequim apenas uma província rebelde.
Após os conflitos no Tibete, no entanto, alertam alguns analistas, os partidários da independência da China podem ter ganho mais adeptos, temerosos de que o mesmo possa ocorrer na ilha se houver a reunificação.
¿ As chances de os referendos terem aprovação são mínimas. Os taiwaneses querem que tudo fique como está ¿ diz George Tsai, professor da Universidade de Cultura Chinesa de Taipé.
Tanto Pequim quanto os Estados Unidos passaram os últimos meses tentando demover Chen Shui-bian de seu projeto de referendo, sem sucesso. A China, que em sua Constituição prevê a possibilidade do uso preventivo da força militar contra qualquer tentativa separatista, já fez um sem número de ameaças.
¿ O Exército de Libertação Popular deve se manter vigilante contra atividades separatistas em nome da independência de Taiwan ¿ disse o general Guo Boxiong, membro da cúpula da Comissão Militar Central da China (as Forças Armadas do país).
China faz ameaça, mas imprensa oficial se cala sobre eleições e referendo
¿Temos certeza que o plano de referendo não deve ser aprovado pelas massas, mas estamos acompanhando com cuidado, e o outro lado do Estreito de Taiwan está preparado para lidar com sérias situações¿, ameaçou o Escritório de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado da China em nota oficial. Não há uma só linha sobre as eleições ou o referendo de Taiwan na mídia estatal da chinesa. (G.S.J.)