Título: Dengue matou 149 pessoas na cidade desde 93
Autor: Motta, Cláudio
Fonte: O Globo, 23/03/2008, Rio, p. 29
"AEDES" ATACA
Especialistas criticam políticas públicas do período, durante o qual o Rio foi governado por Cesar Maia e Conde
A dengue causou 149 mortes na cidade entre 1993 e 2008. Nestes 15 anos e três meses, houve 274.924 notificações da doença na cidade, de acordo com levantamento feito pelas secretarias municipal e estadual de Saúde, na última quinta-feira, a pedido do GLOBO. Para especialistas, como o professor de infectologia da UFRJ Edimilson Migowski, os números revelam a ineficácia da política pública de combate ao mosquito transmissor da dengue. O período foi marcado por três administrações de Cesar Maia e uma de Luiz Paulo Conde, eleito com o apoio do prefeito.
- Adoecer por dengue é um descaso do poder público. Morrer, outro, ainda maior. As pessoas deveriam receber nos hospitais uma receita com linguagem coloquial ensinando a lidar com a doença. O combate à dengue tem que ser por freqüência e seqüência. Depois de tanto tempo no poder, o prefeito repetiu as mesmas estratégias erradas, inclusive a sua comunicação. Se fosse coordenador de marketing de uma empresa, Cesar Maia teria ido à falência várias vezes - disse Migowski.
A alta incidência da doença não está restrita à capital. No mesmo período, 204 pessoas morreram em decorrência da dengue em outros municípios. Houve 613.450 notificações, durante as administrações de Leonel Brizola, Nilo Batista, Marcello Alencar, Anthony Garotinho, Benedita da Silva, Rosinha Garotinho e Sérgio Cabral Filho. No período, passaram pela presidência do Brasil Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, os dois últimos com dois mandatos cada.
Enquanto governos se sucedem, quem perdeu parentes ou amigos convive com a dor. A enfermeira Lacy Silva, de 63 anos - que contraiu a doença duas vezes, sendo a última em 1994 - acredita que a epidemia é culpa dos governos e da falta de mobilização da população:
- Perdi uma amiga, que teve dengue hemorrágica em 2002. Um ano depois, o sobrinho dela também faleceu. Amigos e familiares sentiram uma revolta muito grande com mortes que poderiam ser evitadas.
Prefeito sugere treinamento para a rede particular
O prefeito atribuiu a doença à alta incidência de chuvas, topografia acentuada e aglomeração dos grandes centros. Cesar Maia disse que é fundamental combater a letalidade:
- A rede privada precisa com urgência acelerar seu treinamento, pois em março está com o maior número de casos letais. O estado e o Ministério da Saúde deveriam repassar aos municípios e ao Brasil todos os procedimentos que adotamos no processo.
O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, defende a atuação conjunta com a prefeitura e o Ministério da Saúde:
- Temos que brigar contra o mosquito, unindo forças. Precisamos pensar ações imediatas e planejar as do ano que vem.