Título: Ipea: risco de apagão antes de 2013
Autor: Ordoñez, Ramona
Fonte: O Globo, 26/03/2008, Economia, p. 28

Estudo prevê déficit de 13,4 mil MW em 2010, ano mais crítico

BRASÍLIA. Os R$78,4 bilhões destinados ao setor elétrico no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não serão suficientes para afastar o fantasma do racionamento de energia até 2013. Essa é a conclusão de um estudo recém-concluído por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao governo federal. As autoridades do setor elétrico insistem que são alarmistas as previsões de desabastecimento.

Reunindo dados de órgãos federais e as projeções do PAC, o estudo aponta que, entre 2007 e 2010, a oferta de energia irá crescer 12,3 mil megawatts (MW), mas a demanda vai crescer o dobro, chegando a 25,7 mil MW. Logo, o governo precisará de mais 13,4 mil MW para abastecer o país.

- O cenário aponta para uma situação grave e difícil nos próximos anos. O déficit só não é tão grande porque ainda existe alguma capacidade ociosa no setor elétrico e existem soluções alternativas para compensar essa diferença - afirma Carlos Álvares da Silva Campos Neto, um dos autores do estudo, ao lado de Bolivar Pêgo.

Segundo os pesquisadores, a garantia de abastecimento do mercado até 2013 corre sério risco, "tendo em vista o aumento do déficit de geração, particularmente para os anos de 2010 e 2011". A maior preocupação é com o fato de que as maiores obras do PAC só começarão a gerar energia a partir de 2013. Caso das usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira (RO). A situação pode se tornar mais grave, caso as chuvas não ocorram regularmente. O estudo parte do pressuposto de que as condições hidrológicas serão favoráveis.

- Para os próximos anos, precisamos de chuvas regulares. Caso contrário, a insuficiência de oferta já deverá ser observada em 2009 - diz Campos Neto.

Para contornar a situação, os pesquisadores propõem a contratação de pelo menos mais um navio reconversor de gás natural liqüefeito - o PAC prevê dois para este ano - e o aumento da capacidade das caldeiras das usinas térmicas a bagaço de cana.