Título: Aluno chega despreparado
Autor: Almeida, Cássia; Lins, Letícia
Fonte: O Globo, 29/03/2008, Economia, p. 44
O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Sergei Soares, um estudioso da educação, diz que se surpreendeu, positivamente, com o resultado da Pnad.
Como o senhor avalia o resultado da Pnad?
SERGEI SOARES: Esses resultados me surpreenderam positivamente, sobretudo no que diz respeito aos indicadores de acesso, o que mostra que a política educacional do país está no caminho certo.
Se estamos no caminho certo, por que o Brasil é alvo de críticas quanto à qualidade do ensino?
SERGEI: É que os instrumentos para melhorar a qualidade do ensino são limitados. O governo federal não tem escolas, que estão, em sua grande maioria, nas mãos dos municípios e dos estados. O governo federal pode ajudar, mas a gestão da educação é de responsabilidade dos municípios e dos estados. No Distrito Federal, por exemplo, os salários dos professores da rede pública e da privada são praticamente iguais, mas ainda assim é difícil encontrar professores nas salas de aulas da rede pública. As sanções para quem falta praticamente não existem.
A maior crítica quanto à qualidade costuma atingir o ensino médio. Por quê?
SERGEI: Como no ensino fundamental existe a aprovação automática, o aluno chega ao ensino médio despreparado. Além do mais, é difícil juntar numa mesma turma jovens de idades diferentes, já que muitas crianças acabam abandonando a escola.
Quais seriam as alternativas para combater o problema da qualidade do ensino no país?
SERGEI: Estimular o ensino na pré-escola é fundamental, sobretudo para aquelas famílias de baixa renda. O problema é que, nessa faixa etária, faltam escolas e professores treinados para lidar com crianças.