Título: Com acordo sobre litígio, Oi acerta compra da BrT
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 29/03/2008, Economia, p. 50
TELE VERDE-AMARELA: Citigroup e Opportunity concordaram em retirar ações judiciais que moviam entre si no último dia do prazo concedido por compradores. Grupo de Jereissati e Gutierrez bancou parte das indenizações pedidas
Valor do negócio está estimado entre R$4,5 bilhões e R$5,2 bilhões, mas deve superar R$8 bilhões com aquisição das ações ordinárias pulverizadas no mercado
A criação da supertele nacional, com a compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi (ex-Telemar), ganhou capítulo decisivo na noite de quinta-feira. Os acionistas controladores da BrT, o Citigroup e o Opportunity, de Daniel Dantas, chegaram a um acordo no qual concordaram em retirar as ações judiciais que moviam entre si na Justiça americana. O acordo prévio entre as partes foi feito no último dia do prazo dado pelos controladores da Oi, Carlos Jereissati e Andrade Gutierrez. Esse era o passo que faltava para a proposta de compra avançar, já que Dantas tinha resolvido todos os litígios judiciais com os fundos de pensão (Previ, Petros e Funcef), que também são acionistas da BrT.
Para concretizar o negócio, a Oi bancou parte dos acordos entre os acionistas da Brasil Telecom. Na última quinta-feira, Citi e Opportunity - que brigam na Justiça há anos - chegaram a um valor comum para ambos. Segundo fontes envolvidas nas negociações, as partes acertaram receber o valor de US$100 milhões cada. Com isso, o banco americano vai levar cerca de R$1 bilhão para sair da operadora, que atua nas regiões Sul e Centro-Oeste.
- Ou o acordo entre os acionistas da Brasil Telecom se encerrava na quinta-feira ou o negócio não sairia. Quando a Oi fez a proposta de compra da BrT, havia uma cláusula que previa um prazo para todos os problemas acionários serem resolvidos em definitivo - disse a fonte.
A proposta de compra da Oi tem um valor que varia entre R$4,5 bilhões e R$5,2 bilhões, já incluídos os custos adicionais com os problemas na Justiça envolvendo os acionistas controladores da Brasil Telecom.
Mercado será informado somente na próxima semana
Outros R$3,6 bilhões serão destinados para a compra das ações ordinárias (ON, com direito a voto) da BrT e da Brasil Telecom Participações, holding que controla a operadora. Ambas têm ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). No total, o valor deve superar os R$8 bilhões.
Todos os acordos, porém, são prévios. As duas empresas irão informar à Bovespa e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) somente na semana que vem, quando serão apresentados os acordos definitivos.
- Foi tudo de boca. Ainda não há nada assinado - diz a fonte.
O negócio foi fechado na sede da Andrade Gutierrez, em Botafogo, no Rio de Janeiro. A assinatura dos contratos ainda pode levar alguns dias, pois há uma série de questões tributárias e jurídicas que precisam ser resolvidas.
Na Justiça de Nova York, o banco americano pedia uma indenização de até US$300 milhões ao Opportunity. Eram duas as principais brigas entre Citi e Opportunity. Na principal delas, o banco americano pedia indenização à empresa de Daniel Dantas por má gestão na BrT. Ao mesmo tempo, o Opportunity reivindicava outra quantia por ter sido afastado "injustamente" da gestão da operadora. Em outra ação, BrT e Citi pleiteavam o pagamento de um financiamento concedido ao Opportunity, e jamais pago, para comprar a parte da empresa TIW na Telemig.
- Como o Opportunity não pagou à BrT, os acionistas minoritários poderão pedir esclarecimentos sobre esse dinheiro, que ainda não entrou no caixa da empresa - diz o analista Eduardo Roche, da Modal.