Título: Licenciado, Lupi continua mandando no PDT
Autor: Camarotti, Gerson; Gois, Chico de
Fonte: O Globo, 30/03/2008, O País, p. 8
Ministro influi nas decisões partidárias, ainda assina textos e é chamado de "presidente nacional" da legenda
BRASÍLIA. Mesmo depois de ter se licenciado do cargo de presidente do PDT, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, continua agindo como se estivesse no exercício da função e ainda é chamado e apresentado como "presidente nacional" do partido. Influi diretamente nas decisões e em reuniões partidárias e chega a tratar dos interesses da legenda no governo, como em encontro semana passada no Rio, conforme informou Ancelmo Gois em sua coluna. Nessa reunião, o ministro ouviu queixas de colegas sobre o favorecimento de uma ONG de amigos seus na assinatura de convênios com o ministério do Trabalho.
Lupi anunciou sua licença do comando do PDT dia 6 de março, mas no dia 14, o partido enviou um telegrama a todos os convencionais, convidando-os para um congresso, em que ele continua assinando o texto como "Presidente Nacional". Sua licença da presidência do PDT ocorreu mais de dois meses depois que a Comissão de Ética Pública apontou conflito de interesse no fato de ele acumular o cargo de ministro com o de dirigente partidário. Mas a atuação de Lupi no PDT não se limitou aos telegramas.
Na última segunda-feira, numa reunião política na sede da Fundação Leonel Brizola/Alberto Pasqualini, no Rio, para tratar da candidatura do deputado estadual Paulo Ramos à prefeitura do Rio, Lupi discutiu abertamente os critérios para ONGs ligadas ao partido assinarem convênios com o Ministério do Trabalho.
O assunto foi abordado pelo secretário-geral do PDT no município, Jorge Vieira. O próprio Vieira revelou ao GLOBO, em entrevista por telefone, que a maioria dos candidatos a vereador pelo partido estavam indignados com o que chamou de "direcionamento" de convênios da Fundação Oscar Rudge, do Rio, para ONGs ligadas a poucos vereadores.
Recentemente, a Oscar Rudge fechou um convênio com o Ministério do Trabalho de R$8,5 milhões, e é investigada pelo Tribunal de Contas do Estado por ter sido contratada sem licitação por uma instituição pública entre 2004 e 2006, como divulgou O GLOBO. A presidente da Oscar Rudge é a pedetista Clemilce Carvalho.