Título: Entrada de recursos no país é forte apesar de crise
Autor: Duarte, Patrícia
Fonte: O Globo, 03/04/2008, Economia, p. 28
AMEAÇA GLOBAL: Para analistas, juro alto atrai estrangeiros. Pelo lado comercial, conta ficou positiva em US$6,6 bi
Fluxo cambial teve superávit de US$8 bilhões em março, o melhor resultado mensal desde julho de 2007
BRASÍLIA. Nem o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nem a crise internacional estão segurando a forte entrada de moeda estrangeira no Brasil. O fluxo cambial fechou março com saldo positivo de US$8,051 bilhões, segundo o Banco Central (BC). É o melhor resultado mensal desde julho de 2007, quando havia ficado em US$11,588 bilhões, e mostra que os esforços do governo para tentar brecar a enxurrada de dólares na economia não estão surtindo o efeito desejado.
- Os juros pagos no país são elevados (com a Selic a 11,25% ao ano) e atraem muitos investidores de fora. A conta financeira vai continuar forte - previu o gerente de câmbio do banco Schahin, Daniel Szikszay.
A conta financeira envolve as aplicações em títulos, em ações e até os investimentos estrangeiros diretos e, no mês passado, teve superávit de US$ 1,388 bilhão, praticamente o dobro do visto em março de 2007, quando ficou em US$772 milhões. As compras, em março, somaram US$40,899 bilhões e, as vendas, US$39,511 bilhões.
O resultado foi obtido mesmo com o início da cobrança do IOF sobre capital estrangeiro voltado à renda fixa, a partir do último dia 17 de março e com alíquota de 1,5%.
A expectativa de que o BC aumente os juros básicos nos próximos meses é outro motor da entrada robusta de capital no país. O economista-sênior da Austin Rating, Nelson Carneiro, faz as contas e argumenta que, caso a Selic passe a 12% ao ano, o impacto do IOF no capital internacional fica superado. E o mercado calcula que a taxa feche o ano em exatamente 12%, segundo a pesquisa Focus do próprio BC desta semana.
- É uma contradição - afirma ele, lembrando que os juros pagos por outras economias, como os Estados Unidos, são bem menores.
Pelo lado comercial, em março, o fluxo cambial ficou positivo em US$6,663 bilhões, o melhor resultado desde novembro passado (US$7,304 bilhões). Essa conta reflete o câmbio contratado para as operações comercias no exterior, e não os embarques das mercadorias efetivamente, que é a balança comercial. Com as exportações, foram movimentados no mês passado US$16,532 bilhões e com as importações, US$9,869 bilhões.
Apesar do movimento de desaceleração do saldo comercial das últimas semanas, as contas pelo fluxo devem continuar mostrando números positivos, segundo Carneiro, pois, entre março e agosto, começam as vendas externas das commodities agrícolas.
- A partir de agosto vamos começar a ver saldos da balança comerciais negativos.