Título: Jungmann divulga contas e agora é alvo de auditoria
Autor: Franco, Bernardo Mello
Fonte: O Globo, 08/04/2008, O País, p. 4
CGU vai apurar gasto com massagem
BRASÍLIA. A Controladoria-Geral da União abriu auditoria para investigar o pagamento de uma massagem, num hotel no Rio, e despesas com alimentação em Brasília feitos com recursos da chamada conta tipo B (fundos de suprimento) pelo então ministro da Reforma Agrária, hoje deputado Raul Jungmann (PPS-PE), há sete anos. O deputado tomou a iniciativa de divulgar documentos que mostram seus gastos entre 1998 a 2002. Segundo nota divulgada pela CGU, a auditoria foi aberta porque são despesas que, teoricamente, não poderiam ser pagas com recursos públicos.
O ministro da CGU, Jorge Hage, avisou ontem a Jungmann que faria a auditoria. Jungmann disse que qualquer auditoria é bem-vinda. Mas estranhou que isso ocorra agora, depois que divulgou suas contas, aprovadas pela CGU e pelo Tribunal de Contas da União. O deputado cobrou o mesmo procedimento em relação às sessões de acupuntura feitas pelo presidente Lula, para tratar uma bursite, com o médico chinês Gu Hanghu:
- Quem pagou as massagens, a acupuntura do presidente com o doutor Gu? A CGU está obrigada a se posicionar sobre isso. Vai auditar as contas do presidente? Se isso não for feito, estaremos diante de um caso de perseguição política.
Segundo a nota da CGU, se confirmada a ocorrência de gastos irregulares, o Ministério do Desenvolvimento Agrário será notificado. "Salvo se forem apresentadas justificativas satisfatórias", ressalva a nota.
Jungmann divulgou suas contas na última sexta-feira, com gastos de quase R$80 mil entre 98 e 2002. Além de diárias para ele e assessores, há o pagamento de massagem de R$60 no hotel Othon Rio, em 2001, e despesas com alimentação em Brasília e outros locais, num total de R$15.691,61. No caso da massagem, ele contou que sofreu um acidente aos 14 anos e até hoje é obrigado a fazer fisioterapia, por ter dores na coluna. A explicação foi dada ao TCU por assessores do ministro, conforme documento apresentado. No caso das refeições compradas em restaurantes, uma justificativa padrão: almoço em reunião de trabalho, no gabinete do ministro.