Título: Sigilo da investigação gera polêmica
Autor: Farah, Tatiana
Fonte: O Globo, 08/04/2008, O País, p. 11
Justiça suspende segredo do inquérito policial e critica Ministério Público
SÃO PAULO. Uma batalha entre a Justiça, o Ministério Público e a polícia está sendo travada nos bastidores das investigações sobre a morte de Isabella Oliveira Nardoni, encontrada morta no jardim do apartamento de seu pai, Alexandre Nardoni, há 10 dias. O juiz Mauricio Fossen, do 2º Tribunal do Júri de São Paulo, suspendeu ontem o sigilo sobre o caso, considerando que, com as entrevistas à imprensa, o Ministério Público divulgara informações relevantes da investigação.
Mas o delegado que preside o inquérito, Calixto Calil Filho, decretou segredo sobre o conteúdo dele e pediu silêncio aos policiais e instituições como IC (Instituto de Criminalística) e IML (Instituto Médico Legal), que devem concluir os laudos periciais sobre o caso até a próxima sexta-feira. Tanto o IC quanto o IML não são subordinados ao delegado, mas os laudos fazem parte do inquérito e, segundo os peritos, as informações não poderão ser divulgadas devido ao sigilo imposto pelo presidente do inquérito.
¿O MP demonstrou que o sigilo das informações não constitui formalidade imprescindível¿, escreveu o juiz Fossen ao acabar com o sigilo que ele mesmo decretara na semana passada. O juiz referiu-se à entrevista concedida pelo promotor nomeado para chefiar o caso, Francisco Cembranelli, que na sexta-feira disse que as versões do pai de Isabella, Alexandre Nardoni, e sua mulher, Anna Carolina Jatobá, eram fantasiosas.
O Ministério Público reagiu com nota oficial do promotor: ¿Esclareço que praticamente todos os fatos que constam e são investigados no inquérito policial foram amplamente divulgados pela imprensa nacional, seja antes ou depois da decretação judicial do sigilo, sendo de domínio público e impossíveis de serem apagados da mente da chocada sociedade brasileira¿.
Na semana passada, delegados que acompanhavam o caso do assassinato da menina já haviam sido chamados à atenção devido à forma como estava sendo conduzida a suspeita contra Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Tão logo Nardoni prestou depoimento, uma delegada qualificou o pai da menina de assassino. (Tatiana Farah)