Título: Invasão ameaça estado de direito, diz a Vale
Autor: Brasiliense, Ronaldo
Fonte: O Globo, 09/04/2008, O País, p. 9

Mineradora lembra liminar da Justiça e se queixa de que avisou autoridades, sem resposta

BELÉM. A Vale divulgou nota oficial ontem afirmando que "a invasão anunciada e iminente à Estrada de Ferro Carajás pelos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outros grupos é um desrespeito ao estado de direito e uma ameaça à segurança pública que afeta não apenas todo o setor produtivo do Pará, mas toda a população do estado".

Na nota, a mineradora lembra que a Justiça concedeu um interdito proibitório e uma medida liminar que visam a proteger as instalações da Vale. A empresa alerta também que enviou quatro comunicados às autoridades com responsabilidade sobre o assunto, informando que está ameaçada de prática de crime fartamente anunciada nos meios de comunicação e em reuniões públicas promovidas pelo MST. "Porém, até o momento, a Vale não recebeu qualquer resposta formal das autoridades federais e estaduais".

O MST deflagrou esta semana um "Abril vermelho", anunciando novas invasões de terra no Pará para lembrar o 12º aniversário do massacre de Eldorado dos Carajás, no qual 19 trabalhadores sem-terra foram mortos em confronto com a PM.

Além de Parauapebas, o MST ameaça promover atos em Marabá, Eldorado dos Carajás e Canaã dos Carajás. Segundo o movimento, o objetivo é cobrar do governo celeridade nos assentamentos da reforma agrária, mais verbas para o Programa de Agricultura Familiar e a reestatização da Vale, a segunda maior do mundo, que tem no Projeto Carajás, em Parauapebas, a maior jazida de ferro do planeta.

Além de ato público na Curva do S, na Rodovia PA-150, palco do massacre de Eldorado, marcado para o dia 17 de abril, líderes do MST anunciaram a invasão de fazendas produtivas, o fechamento de rodovias federais e estaduais e o bloqueio da ferrovia de Carajás, por onde a Vale escoa o minério com destino ao mercado internacional. A ferrovia foi bloqueada pelo MST em outubro passado, causando um prejuízo de R$50 milhões.