Título: MST ameaça invadir ferrovia da Vale no Pará
Autor: Brasiliense, Ronaldo
Fonte: O Globo, 09/04/2008, O País, p. 9

BELÉM. Parauapebas, no Sudeste do Pará, um dos municípios mais ricos do estado graças aos royalties que recebe da mineradora Vale pela exploração do minério de ferro da Serra dos Carajás, viveu ontem um dia de cão, cercada por mais de mil militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que ameaçam paralisar a qualquer momento a ferrovia de Carajás no município. O bloqueio desrespeita liminar do Tribunal de Justiça do Rio, que proíbe o movimento e seu coordenador nacional, João Pedro Stédile, de "incitar e promover a prática de atos violentos" contra a empresa e de interromper suas atividades em todo o país, sob pena de multa de R$5 mil por ato violento ou interrupção.

Ontem, advogados de Stédile entraram com recurso contra a liminar obtida pela mineradora, contestando a competência da 41 ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio para julgar a ação, já que Stédile tem endereço fixo em São Paulo, onde alegam que a ação deveria ter sido proposta.

Governadora manda tropa para reforçar Polícia Militar

O clima tenso na região fez com que a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), reforçasse o contingente da Polícia Militar em Parauapebas, enviando tropas de Marabá.

- O que percebo neste momento é que o medo está instaurado dentro da cidade. Há pais que estão retirando os filhos daqui - contou a vereadora Creusa Vicente (PMDB).

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Parauapebas, José Rinaldo Carvalho, também demonstrou preocupação.

- Quando a gente diz "eu estou com medo" é porque o cidadão está tremendo de medo. Então é sério, é um terrorismo constante. Nós temos um contingente policial muito pequeno, que não atende às necessidades nem deste município nem desta região - disse Carvalho.