Título: Bovespa cai com inflação e EUA
Autor: Passos, José Meirelles
Fonte: O Globo, 10/04/2008, Economia, p. 27
Expectativa de alta dos juros faz dólar recuar 0,41%, para R$1,689
RIO e NOVA YORK. As apostas sobre a elevação da taxa de juros básica da economia na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), somadas a um cenário negativo no exterior, levaram a a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a cair 1,65% ontem, aos 63.476 pontos. Também em função da perspectiva de alta da Selic, o dólar recuou 0,41%, para R$1,689 - a sétima queda seguida. Já o risco-país subiu 1,95%, para 261 pontos centesimais.
Segundo Silvio Campos Neto, do Banco Schahin, o humor dos investidores ficou ruim desde o início da manhã, com a divulgação de índices de inflação, como IPCA (0,48% em março) e IGP-M (0,33% na primeira prévia de abril).
- A alta consolidou a expectativa de elevação dos juros, o que esfria a economia e incentiva a migração de recursos para a renda fixa, tirando o impulso da Bovespa - disse.
À tarde, o Departamento de Energia dos EUA informou que os estoques de petróleo cru caíram em 3,2 milhões de barris na semana passada. A expectativa era de alta. Com isso, o barril do tipo leve americano ultrapassou US$112 em Nova York, mas fechou a US$110,87, com alta de 2,18%. O Brent subiu 2%, para US$108,47.
Além disso, o governo americano informou que os estoques do atacado aumentaram 1,1% em fevereiro, contra janeiro, e 7,4% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Outro sinal negativo veio da empresa de entregas UPS, que disse esperar lucros menores no trimestre, devido à alta dos custos com combustível e à queda no volume carregado.
- A notícia foi interpretada como um indicador de que o consumo já está caindo - disse Álvaro Bandeira, da Ágora.
Com relação à crise do crédito, o Nobel de Economia Joseph Stiglitz classificou de indecoroso o sistema de bônus dos bancos de investimento. Segundo ele, o sistema estimula apostas arriscadas, mas não assume as perdas, como agora. Já o ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano) Paul Volcker criticou o atual ocupante do cargo, Ben Bernanke, pelo socorro ao banco Bear Stearns, mês passado. Para Volcker, ele ultrapassou as funções de um banco central.
(*) Com agências internacionais