Título: Plano de emergência para blindar o Brasil
Autor: Couto, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 04/05/2009, Mundo, p. 13

Representantes de vários ministérios se reúnem hoje para traçar decisões em caso de pandemia

Passageiros desembarcam no aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília: viajantes que chegam da Europa veem mais preocupação no Brasil O aumento do número de casos suspeitos no Brasil (passou de 14 para 15), a confirmação de um paciente com o vírus influenza H1N1 na Colômbia, e o fato de a doença já atingir 18 países levaram o governo a convocar uma reunião do Grupo Executivo Interministerial (GEI) hoje, às 14h, na sede do Ministério da Saúde. Criado pela Presidência da República em 2005, o grupo é o responsável pelas decisões, capacitação e treinamento dos estados para aplicação de um plano de emergência em caso de uma pandemia da gripe suína. O Gabinete Permanente de Emergências divulgou, ontem à tarde, que as pessoas em monitoramento saltaram de 37 para 44, enquanto os casos descartados pularam de 38 para 43.

Participam da reunião, hoje em Brasília, representantes da Presidência da República (Casa Civil e Gabinete de Segurança Institucional), e dos ministérios da Saúde, da Fazenda, do Planejamento, Orçamento e Gestão, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Integração Nacional, das Relações Exteriores, da Justiça, e da Defesa. Os órgãos que integram o GEI, de acordo com o governo, estão interligados por uma rede digital para a troca de informações em tempo real. Os participantes do grupo têm salas de situação que permitem tomar decisões rápidas em emergências.

Antes do encontro com representantes do governo no Ministério da Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) realiza uma teleconferência, ao meio-dia, em sua sede na capital federal com autoridades de saúde dos países integrantes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). A reunião deve servir ao intercâmbio de informações e experiências aos países da América do Sul. Os participantes discutirão estratégias conjuntas para conter o influenza H1N1 no continente. Caso o vírus aterrisse em outras nações, além da Colômbia, os ministros de Saúde do continente devem se reunir, em Brasília, nesta semana.

O boletim divulgado ontem pelo Gabinete Permanente de Emergências aponta que os casos suspeitos estão sendo investigados em São Paulo (6), Rio de Janeiro (3), Minas Gerais (3), Espírito Santo (1), Distrito Federal (1), e Mato Grosso do Sul (1). Outros 44 casos são monitorados em São Paulo (7), Minas Gerais (5), Espírito Santo (4), Rio Grande do Norte (4), Sergipe (4), Rio de Janeiro (3), Bahia (3), Paraná (3), Santa Catarina (2), Amazonas (2), Mato Grosso do Sul (2), Paraíba (2), seguidos por Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Sul, com um caso em cada estado.

Sintomas Com o objetivo de evitar a disseminação do vírus e reforçar a vigilância no país, o Ministério da Saúde alterou, desde sexta-feira, os critérios para diferenciar pacientes em monitoramento e suspeitos. Passaram a ser classificados como casos monitorados as pessoas procedentes de país afetado, com febre não medida e tosse, podendo ou não estar acompanhada dos demais sintomas. São monitorados também viajantes procedentes de voos internacionais, nos últimos 10 dias, de nações não afetadas pela gripe e apresentando os sintomas.

É considerado suspeito o paciente que apresentar febre alta de maneira repentina (acima dos 38ºC) e tosse, podendo estar acompanhadas de algum dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dificuldade respiratória. Ele deve ter apresentado esses sintomas até 10 dias após sair de países que registraram casos pela influenza H1N1 ou ter tido contato próximo, nesse intervalo de tempo, com pessoa classificada como caso suspeito da nova gripe.

Mesmo com 15 casos suspeitos no país, sendo dois em Brasília (um ainda não confirmado pelo Ministério da Saúde), nenhum dos 221 passageiros e 13 tripulantes do voo 0173 da TAP Air Portugal, que chegou de Lisboa às 15h47 de ontem no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, usavam máscaras. A informação foi confirmada pelo passageiro Vanderlei Souza. ¿Não vi ninguém usando durante a viagem. Em Portugal, as pessoas têm certa apreensão com os voos que embarcam e desembarcam para o México¿, afirmou Souza.

À ESPERA DOS KITS Os institutos Adolfo Lutz (SP), Oswaldo Cruz (RJ) e Evandro Chagas (PA) ainda não receberam os kits com os reagentes e amostras para o diagnóstico do vírus influenza H1N1. O material, que será enviado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Atlanta, nos Estados Unidos, permite que o resultado fique pronto em no máximo três dias. Hoje, o diagnóstico disponível no país admite a confirmação da doença no prazo de 10 a 15 dias. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) informou que, enquanto os kits não chegam, países se valem de outros métodos para descartar ou acompanhar de perto os pacientes. Além do exame clínico, são realizados testes para verificar a contaminação por outros tipos de vírus. A triagem é feita por exclusão. Se o exame for positivo para um tipo conhecido de vírus da influenza, descarta-se a possibilidade de ser o H1N1.