Título: CPI: base rompe acordo e limita acesso a dados
Autor: Braga, Isabel
Fonte: O Globo, 17/04/2008, O País, p. 10

Oposição volta a ameaçar com comissão exclusiva do Senado para investigar mau uso dos cartões

BRASÍLIA. Menos de 24 horas depois de costurar um acordão para dar sobrevida à CPI mista do Cartão Corporativo, a bancada governista recolheu a bandeira branca e desistiu ontem de aprovar pedidos de informação sobre gastos com os cartões. Além disso, a base limitou a oito o número de parlamentares que terão acesso a dados sigilosos que estão no Tribunal de Contas da União (TCU). O descumprimento do trato irritou a oposição, que ressuscitou requerimentos para convocar a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e abrir os gastos sigilosos da Presidência com os cartões. Com ampla maioria, o governo voltou a acionar o rolo compressor e sepultou as duas propostas.

Contrariados, PSDB e do DEM retomaram a ameaça de instalar uma CPI exclusiva no Senado para investigar o uso dos cartões. Ontem, a CPI mista recebeu mais 913 caixas de documentos.

- Se a investigação não prosseguir, a CPI do Senado será inevitável - disse o líder do DEM, Agripino Maia (RN).

A CPI foi palco de uma nova batalha sobre o acesso a auditorias do TCU em gastos com os cartões. À noite, numa reunião fechada, ficou decidido que só oito parlamentares poderão examinar os documentos, que incluem notas sobre despesas sigilosas da Presidência entre 2002 e 2005. As visitas serão feitas a partir de terça-feira e terão prazo de 30 dias, incluindo os fins de semana. A decisão contrariou a presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS):

- Acho muito difícil dizer que um senador pode ter acesso aos dados e outro não. Como vamos decidir, no palitinho?

Além da convocação de Dilma, a bancada governista também recusou pedido de acesso a dados do Suprim, o banco de dados paralelo ao que deu origem ao dossiê com gastos do governo tucano. Outro requerimento, que pedia a quebra do sigilo do gabinete presidencial neste governo e no passado, também foi rejeitado. Entre os dez pedidos aprovados está a convocação do reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ulyssess Fagundes Neto, acusado de fazer despesas indevidas com o cartão na Disney, no free shop e numa loja de material esportivo.