Título: Morte ocorreria mesmo sem queda
Autor: Farah, Tatiana; Nunes, Fabiano
Fonte: O Globo, 22/04/2008, O País, p. 5
Isabella foi asfixiada no apartamento e ferida na testa dez minutos antes de cair
SÃO PAULO.Sem o socorro adequado, a menina Isabella Alves Nardoni teria morrido por asfixia, mesmo sem ter sido arremessada do sexto andar, na noite de 29 de março. A informação, divulgada ontem à noite pelo ¿Jornal Nacional¿, é uma das conclusões dos laudos da morte da menina. De acordo com os peritos, Isabella foi esganada dentro do apartamento. O processo de asfixia teria durado cerca de sete minutos.
Outra conclusão, também divulgada pelo ¿Jornal Nacional¿, confirma os dados da polícia, que encontrou sangue da menina no Ford Ka da família: a perícia no sangue do ferimento na testa de Isabella mostram que ela foi machucada pelo menos dez minutos antes de ser jogada. Ela foi ferida ¿ com uma chave ou um anel ¿, portanto, antes de chegar ao apartamento. Isabella, segundo os peritos, tinha ainda um corte na língua e ferimentos internos na boca, causados pela pressão dos lábios contra os dentes.
Na faca e na tesoura, digitais apenas do casal
A faca e a tesoura usadas para cortar a tela de proteção da janela por onde Isabella foi arremessada estavam em um gaveteiro da cozinha, no meio de outros talheres. O laudo do Instituto de Criminalística demonstra que os dentes dos dois utensílios apreendidos são semelhantes às marcas deixadas na rede de náilon da grade. E que não havia neles, assim como em todo o apartamento, impressões digitais além das de Alexandre Nardoni, pai de Isabella, e da mulher, Anna Carolina Jatobá.
Para a polícia, este é mais um indício de que não havia uma terceira pessoa no local do crime. Segundo os policiais, o local do crime foi preservado para que nenhum vestígio fosse violado. A família Nardoni só entrou no apartamento para apanhar roupas usadas no velório e, mesmo assim, após terem sido feitas três perícias.
São esses laudos, somados aos depoimentos de quase cem testemunhas, que embasarão o relatório dos delegados Calixto Calil Filho e Renata Pontes, do 9º Distrito (Carandiru), que será encaminhado à Justiça esta semana, com pedido de prisão preventiva do casal. A polícia tem até o dia 28 para concluir o inquérito. Hoje estão previstos depoimentos do pai de Alexandre Nardoni, Antonio Nardoni, e da irmã, Cristiane Nardoni.
Para os delegados que conduzem o inquérito, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá mataram Isabella. O casal, indiciado na sexta-feira pelo crime de homicídio triplamente qualificado (impossibilidade de defesa, meio cruel e motivo torpe), desde o primeiro momento afirma que um estranho invadiu o apartamento.
CASO ISABELLA: A DOR DA FALTA DE SENTIDO, Arnaldo Jabor, no Segundo Caderno