Título: Medo de atentados faz revista em comícios de Obama ser rigorosa
Autor: Passos, José Meirelles
Fonte: O Globo, 22/04/2008, O Mundo, p. 23

Serviço Secreto dos EUA diz que pré-candidato democrata recebeu ameaças de morte anônimas.

LANSDOWNE, Pensilvânia. Nem mesmo os bebês escapam à minuciosa revista a que agentes federais submetem todos os que querem assistir a um comício de Barack Obama, em qualquer cidade do país. Ele está sob a proteção do Serviço Secreto (SS), durante 24 horas por dia, desde maio do ano passado.

É preciso entrar nas longas filas diante dos detectores de metais e aguardar a vez. Bolsas, sacolas e mochilas são abertas e vasculhadas. Alguns desses acessórios passam, em seguida, por um exame adicional: o do olfato de cães treinados a encontrar explosivos.

Alguém quer matar Obama. Ameaças anônimas já foram feitas, admite o Serviço Secreto. Nada mais, além disso, é divulgado. A suspeita óbvia, que alimenta a especulação popular, é a de que grupos racistas radicais de brancos planejam um atentado contra ele: não suportariam ver um negro na Presidência da República.

No entanto, especialistas do setor dizem que o SS estaria mais preocupado com um pistoleiro solitário, alguém mentalmente perturbado, que agiria por contra própria ¿ e não para cumprir um contrato feito com um daqueles grupos.

¿ Uma análise de vários sites de grupos de brancos radicais mostra que eles prefeririam ver Obama eleito do que Hillary Clinton ou John McCain, pois consideram esses dois são controlados por grupos de interesse de judeus. Talvez a maior ameaça seja mesmo um atirador solitário, perturbado, como quase sempre é o caso ¿ disse Fred Burton, agente especial de contra-terrorismo do Departamento de Estado.

Hillary Clinton também é protegida pelo SS, mas isso é rotina em sua vida desde a época em que vivia na Casa Branca e depois de deixá-la. Assim como os ex-presidentes, as ex-primeiras-damas recebem proteção pelo resto da vida. (J.M.P.)