Título: Hillary deve vencer por pouco na Pensilvânia
Autor: Passos, José Meirelles
Fonte: O Globo, 22/04/2008, O Mundo, p. 23

Candidatos democratas se enfrentam hoje em prévia no estado. Obama continua com vantagem na disputa geral.

HARRISBURG, Pensilvânia. Mesmo antes de que os 4,3 milhões de eleitores do Partido Democrata compareçam às urnas hoje para escolher o seu candidato à Presidência da República, já existe ¿uma certeza e meia¿, como dizem aqui, a respeito da prévia eleitoral da Pensilvânia. A certeza completa é que Hillary Clinton vencerá essa disputa. A meia certeza é que tanto ela quanto Barack Obama vão se declarar vencedores.

Explica-se: a expectativa dos pesquisadores de opinião é que a margem de vantagem dela sobre ele será pequena, de apenas um dígito. E, em sendo assim, Obama colherá um bom número dos 158 delegados em jogo nessa disputa.

¿ Se ele ganhar bem na Filadélfia, a maior cidade, onde há mais delegados, é provável que acabe ficando com um número maior do que Hillary no total, mesmo perdendo em outras partes do estado ¿ disse Terry Maddona, diretor do Centro para Política e Assuntos Públicos, e o mais prestigiado pesquisador de opinião da Pensilvânia.

Chances de Hillary vencer nacionalmente estão em 10%

Seus levantamentos mais recentes coincidem com estudos semelhantes feitos nacionalmente, mas ainda não divulgados. Maddona antecipou a conclusão ontem, em conversa com correspondentes de jornais estrangeiros na capital do estado:

¿ Mesmo vencendo aqui, Hillary tem nada mais do que 10% de chances de vir a ser escolhida como a candidata do Partido Democrata.

Essa estimativa aumentou as preocupações da direção do partido. O diretor-executivo na Pensilvânia, Abraham Amoros, disse que se a vantagem de Hillary sobre Obama não for maior do que 5 pontos hoje ¿ ontem ela era de 5,9 na média de várias pesquisas ¿ aumentarão as pressões para que ela desista.

¿ Sabemos que ela continuará insistindo em permanecer na disputa. Mas achamos que o máximo tolerável será aguardar até a próxima prévia, 6 de maio na Carolina do Norte. Esta será uma data essencial no processo ¿ disse Amoros, acrescentando que a direção do partido compartilha o mesmo sentimento.

Acusações entre democratas podem favorecer McCain

Segundo Amoros, a permanência de Hillary na disputa sem resultados ¿decisivamente marcantes¿ porá em risco o futuro do partido. Ele contou que pessoas que habitualmente fazem grandes contribuições para ela já decidiram aguardar um pouco mais ¿para ver se ainda vale a pena¿. E voluntários também começam a hesitar em doar seu tempo à campanha.

¿ O problema é que Hillary e Obama agora colocam no ar anúncios negativos, com acusações mútuas muito fortes, e eles são muito eficazes. Se isso continuar por mais tempo, não me espantaria se (o republicano) John McCain vencesse a eleição geral ¿ disse Amoros.

A tese recebeu o apoio de Luke Bernstein, diretor-executivo do Partido Republicano na Pensilvânia:

¿ Os anúncios negativos deles na verdade estão se tornando propaganda favorável a McCain. Por isso torcemos para que Hillary, de fato, fique brigando até a convenção nacional.

Num discurso ontem em Scranton, no interior do estado, Obama previu o já esperado: a vitória de Hillary. E reconheceu que a sua meta é ter uma pontuação mais próxima possível da que for obtida por ela.

¿ Não estou predizendo uma vitória para mim. O que prevejo é que vou ter um resultado bem melhor do que as pessoas estão esperando ¿ disse Obama.

Hillary, que duas semanas atrás tinha uma vantagem de 20 pontos, também esteve em Scranton e foi realista:

¿ Temos de nos agüentar bem nessa posição nesses momentos finais. O mundo inteiro está de olho nisso.

O senador John McCain, com a candidatura já garantida pelo Partido Republicano, não se deu ao trabalho de vir à Pensilvânia. Ontem ele chegou ao Alabama, onde deverá visitar comunidades pobres, expondo sua plataforma econômica.

¿ Não deve haver lugares esquecidos nos EUA, tenham sido eles ignorados nos longos anos pelos pecados da indiferença e da injustiça ou deixados para trás à medida que o mundo foi se tornando pequeno e mais interdependente economicamente ¿ disse McCain em Selma.