Título: PM vai ajudar combate ao foco do mosquito
Autor: Martin, Isabela
Fonte: O Globo, 20/04/2008, O País, p. 17
Dengue clássica atingiu 143 dos 184 municípios cearenses.
FORTALEZA. Em Fortaleza, que concentra mais de 50% dos registros de dengue clássica, os agentes de combate ao mosquito ganharam parceiros de peso. Os 1.200 policiais do Ronda do Quarteirão, uma unidade nova que atua como polícia comunitária e que desfruta de alta credibilidade junto à população, vão dar apoio na abordagem a moradores de cerca de duas mil residências que se recusam a abrir as portas de casa. Em grupos, eles começaram a receber treinamento na semana passada e vão atuar na capital e em dois municípios da região metropolitana (Caucaia e Maracanaú). A dengue clássica já se espalhou por 143 dos 184 municípios cearenses.
As crianças estão sendo as maiores vítimas este ano. Uma das explicações é que de 80% a 90% dos casos são provocados pela dengue tipo 2, um vírus que desde 2002 não circulava no Ceará. Por essa razão, quem tem até 6 anos está mais propenso à contaminação. Mais de 67% dos casos confirmados foram registrados em menores de 15 anos. O índice de mortalidade também foi maior nesse grupo. Dos quatro óbitos ocorridos até agora, três tinham menos de 15 anos.
Secretaria recomenda tratar virose como dengue
Desde março, o atendimento na unidade de emergência (conhecida como frotinha) do bairro Antônio Bezerra triplicou. Das 1.300 pessoas consultadas diariamente, segundo a diretora-técnica Elenice Carneiro, cerca de 80% apresentam sintomas da dengue. Por orientação da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), todos os casos de viroses ¿ muito comuns nesta época do ano ¿ devem ser tratados como se fossem dengue para reduzir o risco de morte. Esses pacientes são imediatamente colocados no soro para hidratação.
No frotinha de Messejana, um dos bairros com maiores índices de infestação em Fortaleza, até a farmácia que estava em reforma virou enfermaria. O diretor, Antônio Feitosa de Oliveira Costa, deu um jeitinho de ampliar a capacidade do hospital além dos 55 leitos fixos. As 70 cadeiras do auditório e outras 50 que ele pediu à prefeitura foram espalhadas para acomodar pacientes que estão sendo hidratados. Em média, um terço dos 600 atendimentos diários são de pessoas com suspeita de estarem com dengue.
¿ Eu nunca vi isso aqui em tempo algum. Tá parecendo o Iraque ¿ afirmou Costa.
Lá, como em outros hospitais de Fortaleza, foi necessário pedir reforço de médicos e de quatro profissionais para coletar sangue dos pacientes que fazem hemogramas diariamente para acompanhamento da doença.