Título: Festa custou R$76 mil
Autor: Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 24/04/2008, O País, p. 3
Supremo e associações de juízes bancaram gastos da posse
BRASÍLIA. A posse do ministro Gilmar Mendes na presidência do Supremo Tribunal Federal contou com caprichos há muito não vistos na Corte. Em vez dos tradicionais copos d"água e xícaras de café, os convidados puderam escolher entre champanha, uísque, vinho e refrigerantes. Também saborearam salgados e canapés. A trilha sonora ficou a cargo de músicos da Universidade de Brasília (UnB) - pianista, violinista, violoncelista e uma soprano. A festa custou R$76 mil. Desse total, mais da metade saiu dos cofres do Supremo. O restante foi financiado por associações de juízes.
Foi registrada no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), que contabiliza despesas públicas, uma nota no valor de R$37,4 mil, emitida pelo tribunal, para a contratação de empresa responsável pela organização do evento. Além disso, os músicos foram contratados por cerca de R$2,5 mil, segundo informou a assessoria de imprensa do STF. A empresa que ganhou a licitação para organizar o evento foi a produtora Promodel Conection. Ela teria fornecido o mestre de cerimônias, recepcionista bilíngüe, transporte para convidados e hospedagem em hotéis da capital federal.
O coquetel foi financiado pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB). Segundo a própria entidade, Gilmar teria pedido uma ajuda de custo para o evento. A entidade recebeu um orçamento de R$31.320. O dinheiro foi prontamente providenciado. À Associação dos Juízes Federais (Ajufe), foi apresentada a despesa com manobristas: R$4,8 mil. A solicitação também foi atendida. O presidente da AMB, Mozart Valadares, ressaltou que o dinheiro é totalmente vindo de contribuições mensais de juízes.
- Não tem dinheiro público na AMB - disse Valadares.
No discurso de posse, Gilmar ressaltou a necessidade de "diminuição de custos e a maximização dos recursos" no Judiciário como forma de aperfeiçoar a prestação do serviço nos tribunais. Há um mês, quando tomou posse na presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o ministro criticou gastos excessivos do Judiciário e defendeu uma melhor gestão dos recursos.
A cúpula do governo esteve na cerimônia: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os principais ministros de estado - Tarso Genro, da Justiça, Guido Mantega, da Fazenda, e Marta Suplicy, do Turismo. Parlamentares governistas e de oposição também foram à posse. Ministros de todos os tribunais fizeram questão de homenagear o novo presidente do Supremo. Não teve espaço para tanta gente - 4.800, segundo o cerimonial. Houve tumulto na fila dos cumprimentos.