Título: Ciro: veto do PT é inexplicável e arrogante
Autor: Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 26/04/2008, O País, p. 8

Demonstrando irritação, ex-ministro de Lula afirma que petistas querem impor regras ao PSB, que deve ficar com Aécio

BRASÍLIA. A decisão da executiva nacional do PT de vetar a aliança em Belo Horizonte com o PSDB - em torno da candidatura do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda (PSB) à prefeitura - causou a ira de dirigentes e líderes do PSB, tradicional aliado do presidente Lula. Eles classificaram a decisão como uma tentativa dos petistas de impor regras a outros partidos e avaliaram que, mantido o veto, o PT ficará isolado nas eleições em Minas. As negociações para a aliança estavam sendo conduzidas pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e pelo governador de Minas, o tucano Aécio Neves.

Sem esconder sua irritação, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro de Lula, disse esperar que o PT reveja sua posição e atacou o que chamou de "arrogância paulista" do partido. Se for mantido o veto, e o PSB tiver de optar entre PT e PSDB, tudo indica que o partido de Ciro ficará com os tucanos em Belo Horizonte. A cúpula do PSB advertiu para o risco de a decisão ter reflexos em outros municípios, como São Paulo, onde a ministra Marta Suplicy (Turismo), que já perdeu o apoio do PMDB, busca aliados para sua campanha à prefeitura.

- Para mim, essa é uma decisão inexplicável e incompreensível. Espero que o PT possa revê-la - disse Ciro.

Em conversa com Pimentel, Ciro foi ainda mais enfático:

- Além de desautorizar uma de suas lideranças mais importantes (Pimentel), a arrogância paulista do PT quer impor regras ao PSB.

Para o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), o PT deu um tiro no pé ao vetar a aliança. E previu o isolamento dos petistas:

- Quem montou essa engenharia em Belo Horizonte foi o governador, que teve a generosidade de abrir a cabeça da chapa para o PSB. Se não quiserem se aliar a ele, vão ter de buscar outro candidato. E, com o desrespeito que estão tratando o prefeito Pimentel, quero só ver a disposição dele para participar dessa campanha.

O secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo (SP), minimizou a reação de Ciro. Frisou que o PSB é um partido irmão do PT e disse apostar no diálogo. No entanto, ele defendeu a decisão, com o argumento de que a disputa em Belo Horizonte ganhou dimensão nacional:

- Essa posição não foi tomada por arrogância e nem passou por São Paulo, mas, como a disputa em Belo Horizonte ganhou uma dimensão nacional, resolvemos vetar o envolvimento do PT numa articulação que possa comprometer a ação das forças de esquerda em favor de um projeto de continuidade do governo Lula em 2010.