Título: Supertele com ajuda do BNDES
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 26/04/2008, Economia, p. 29
OPERADORA VERDE-AMARELA
Oi fecha a compra da Brasil Telecom em operação que pode chegar a R$12,3 bi
Depois de pelo menos quatro meses de negociações, a Oi (ex-Telemar) finalmente assinou ontem o acordo para comprar a Brasil Telecom (BrT), operadora de telefonia móvel e fixa nas regiões Sul e Centro-Oeste. A supertele também já tem nome: será apenas Oi. O valor do negócio pode chegar a R$12,3 bilhões. São R$5,8 bilhões para a compra do controle: R$4,98 bilhões pela Invitel, que comanda a Solpart, principal acionista da BrT, e R$881 milhões pela participação direta de Citigroup e Opportunity. A Oi ainda gastará R$3,3 bilhões para comprar, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), os papéis ordinários (com direito a voto) dos minoritários da BrT e da holding Brasil Telecom Participações. Mais R$3 bilhões serão usados para tentar levar as ações preferenciais. Para que a compra saísse, foi preciso fazer uma reestruturação no controle da própria Oi, simplificando sua estrutura, com a saída de alguns acionistas, uma operação que será financiada com R$2,569 bilhões do BNDES.
O banco, acionista da Oi, conseguiu a garantia de preferência de compra de ações caso um dos seus parceiros decida vender a participação no negócio. O Executivo emplacou a cláusula, essencial ao plano de evitar que a supertele, já valorizada, seja repassada a estrangeiros. Também fica garantido que, sem o voto do BNDES, não serão feitas operações que coloquem em risco a estabilidade do controle.
A maior união do setor no país foi informada ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para se concretizar, falta o governo alterar o Plano Geral de Outorgas (PGO), que hoje proíbe que duas concessionárias de telefonia tenham o mesmo controlador. Segundo Luiz Eduardo Falco, presidente da Oi e da nova supertele, a expectativa é que a legislação seja alterada em até três meses. Quem coordena a operação é o Credit Suisse, que assumiu a posição de comissário mercantil. Portanto, enquanto a lei não muda, o Credit Suisse faz o papel de comprador: retém as ações da BrT para depois repassá-las à Oi.
BNDES e fundos de estatais terão 49,8%
Nos dois últimos dias, mais de 73 pessoas se reuniram na sede de um dos principais acionistas da Oi, a Andrade Gutierrez, em Botafogo, Zona Sul do Rio, assinando 140 contratos. Brigas entre os sócios da BrT emperravam o negócio, mas Opportunity, Citigroup e fundos de pensão acertaram suas disputas na Justiça.
- Vamos criar uma terceira força e competir com mexicanos e espanhóis. Nossa receita será de R$29,3 bilhões anuais, com força na telefonia móvel, em que teremos 17,9% do setor, e alcançaremos a liderança em rede de dados, ao lado da Embratel - diz Falco, ressaltando que o consumidor vai ganhar, pois haverá mais competição.
A nova companhia, que também passará por uma reestruturação acionária, terá valor de mercado de US$22,9 bilhões - o 30º maior no mundo, segundo a Oi. Na telefonia fixa serão 26,8 milhões de clientes e na móvel, 20,15 milhões, estando presente em quase todo o país. Faltará só São Paulo, mas por pouco tempo. Nos próximos meses, a Oi chegará à capital paulista oferecendo telefonia móvel de Terceira Geração (3G).
- O acordo que fizemos entre os acionistas prevê que não haverá demissões pelos próximos três anos. As áreas operacionais são complementares. Há apenas uma sobreposição em cargos executivos - afirma Falco.
Para que o negócio saísse o mais rapidamente possível, a Oi arcou com gastos extras de R$315 milhões para que se extinguissem ações judiciais, demandas e pleitos dos acionistas da BrT. O objetivo é não herdar litígios.
Concluída a reorganização da Oi, o BNDES, que tinha 25%, ficará com 16,89%. Saem GP (grupo criado por Jorge Paulo Lemann), Lexpart (Opportunity), Banco do Brasil e seguradoras. Com isso, a supertele ficará concentrada nas mãos de Carlos Jereissati, da La Fonte, e Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez, com 19,34% cada - que usarão o dinheiro do BNDES para comprar a parte dos sócios. Esses dois grupos e a Fundação Atlântico, fundo de pensão dos funcionários da Oi, terão 50,18%. O BNDES, do governo, e fundos de pensão ligados a estatais ficarão, juntos, com 49,82%. Haverá uma cisão parcial da Telemar Participações (controladora da Oi), segregando a Contax em uma nova empresa.
Segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, não serão usados recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) nem institucionais, por ser uma operação de renda variável. A BNDESPar subscreverá R$1,239 bilhão em ações preferenciais resgatáveis da Telemar Participações, que, por sua vez, comprará as participações dos sócios que vão sair. A BNDESPar também vai subscrever títulos da AG Telecom (da Andrade Gutierrez) e da La Fonte Telecom, de R$1,33 bilhão. A BNDESPar poderá vender 11% do capital da holding em um leilão público, no qual os fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica) podem aumentar sua participação.
COLABORARAM Gerson Camarotti e Erica Ribeiro