Título: Denúncias contra Paulinho afastam políticos
Autor: Barbosa, Adauri Antunes; Rodrigues, Lino
Fonte: O Globo, 02/05/2008, O País, p. 5

Em evento da CUT, ministro do Trabalho diz que é favorável à redução da jornada para 40 horas semanais

Adauri Antunes Barbosa, Lino Rodrigues e Tatiana Farah

SÃO PAULO. Uma das maiores do país no Dia do Trabalho, a festa programada em São Paulo pela Força Sindical sofreu este ano um esvaziamento político. Com as acusações contra o presidente da central, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, poucos políticos foram à festa, diferentemente de anos anteriores. O frio e a chuva durante todo o dia também colaboraram para a redução do público, apesar dos shows e de sorteios de carros e casas. Segundo estimativa da Polícia Militar, cerca de 800 mil pessoas estiveram presentes, quando a expectativa era de um milhão.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou em Brasília. O governador José Serra também não apareceu. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição com aliança já fechada com o PMDB, tido como presença certa, não compareceu. Kassab teria recuado por causa de relatórios da PF informando que o presidente da Força Sindical, também pré-candidato à prefeitura de São Paulo, queria criar um escândalo envolvendo o atual prefeito. De manhã, Kassab foi à festa da CUT, no autódromo de Interlagos.

Paulinho diz não ter convidado Kassab

Ao lado apenas dos ministros Carlos Lupi, do Trabalho, seu companheiro de partido, e Marta Suplicy (PT), do Turismo, e do presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), Paulinho disse que não convidou o prefeito Kassab para a festa. Afirmou que o prefeito não tem tratado bem os trabalhadores de São Paulo.

- Com o Kassab, o PDT não tem mais nenhuma relação, porque ele tem tratado os trabalhadores muito mal em São Paulo. E por isso nós nem convidamos ele para vir aqui hoje (ontem) - disse Paulinho.

Entre os nomes anunciados pela Força e que também não foram à festa do 1º de Maio estão os governadores Aécio Neves (PSDB), de Minas Gerais, e Roberto Requião (PMDB), do Paraná, e o ministro da Previdência Social, Luiz Marinho (ex-ministro do Trabalho e ex-presidente da CUT). Como faz todos os anos, a central sorteou durante a festa, das 7h às 18h, na Praça Campo de Bagatelle, na Zona Norte da capital, cinco apartamentos e 10 carros novos.

Chinaglia também defende redução de jornada

Já a festa organizada pela CUT foi marcada pela defesa de redução da jornada de trabalho, de 44 para 40 horas semanais. O ministro Carlos Lupi disse que, como cidadão, defende a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. A CUT estimou em 300 mil o número de participantes do evento. Segundo policiais militares, o número não chegou a 100 mil.

- Acho que é justa a reivindicação. Como ministro de Estado, não compete a mim fazer qualquer tipo de campanha a favor ou contra o reivindicação. Acho que tem de passar primeiro pelo Congresso. Enquanto cidadão, sou favorável. Agora, como ministro de Estado, tenho de negociar, ouvir a parte patronal e buscar uma saída de consenso - disse Lupi.

Chinaglia, na festa da CUT, adotou a mesma posição:

- A redução de jornada cria condições de aumentar o número de empregos.Temos a experiência de reduzir de 48 horas para 44, e (isso) não quebrou empresas nem tirou a competitividade do país. Agora, eu sou presidente da Câmara, não estou aqui para defender posições, vou conduzir de maneira a ouvir os dirigentes sindicais e os trabalhadores, mas também quero criar condições para que aqueles que sejam contrários, os representantes naturais, tenham a oportunidade de defender a sua posição.

Envolvido no mensalão vai à festa da CUT

Figura carimbada das festas cutistas, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, envolvido no escândalo do mensalão, apareceu ao evento acompanhado da mulher, a dirigente do PT e da CUT Monica Valente. Sorriu timidamente para os jornalistas, mas não quis dar entrevistas.

O deputado José Genoino, ex-presidente nacional do partido, afastado da direção durante o mesmo escândalo, também participou do evento. Ficou na festa por menos de uma hora, partindo logo depois da ministra do Turismo.

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