Título: O guia de instruções da Marcha da Maconha
Autor: Berta, Ruben
Fonte: O Globo, 02/05/2008, Rio, p. 16

Organizadores pedem que manifestantes não levem nem usem droga durante o ato no Arpoador.

Os adeptos da Marcha da Maconha, programada para a tarde do próximo domingo no Arpoador, já têm até um guia com as principais recomendações para quem vai estar na passeata. No site do evento na internet, há uma lista de orientações básicas, como não usar nem levar drogas ou marchar ¿sem sair do armário¿, ou seja, ir fantasiado para não ser reconhecido. Ainda de acordo com a página da Marcha da Maconha, está vetada a presença no evento de menores de 18 anos.

¿ O nosso objetivo não é fazer apologia, mas sim ampliar a discussão em torno da legalização das drogas ¿ explicou o sociólogo Renato Cinco, um dos organizadores do evento no Arpoador, com concentração marcada a partir das 14h e saída, às 16h, em direção à Praia de Ipanema.

Se na Marcha da Maconha está proibida a presença de menores, na Caminhada Rio em Defesa da Família, também chamada de Marcha Contra a Maconha, a idéia é atrair desde crianças a idosos. A vereadora Silvia Pontes (DEM), presidente da Comissão de Prevenção às Drogas da Câmara de Vereadores, uma das organizadoras do evento, ganhou ainda o reforço de atletas para o evento. Remadores de Vasco, Flamengo e Botafogo devem estar presentes. A passeata acontecerá, na manhã de domingo, na Praia de Copacabana, com concentração a partir das 9h, na altura da Rua Santa Clara.

¿ Acreditamos que o esporte é um grande aliado na prevenção ao uso de drogas ¿ afirmou o remador Edson Salles, de 24 anos, um dos que estarão na caminhada.

Nos dois lados das marchas de domingo, cada um tem sua estratégia de marketing. A pró-maconha distribuiu até kits para imprensa e vende camisetas pela internet. Já a contra confeccionou duas mil pulseiras, que serão distribuídas aos participantes durante o evento.

Apesar de ter sido barrada em três estados, a Marcha da Maconha está mesmo confirmada no Rio. Até a noite de ontem, não havia qualquer ação na Justiça contra o evento. Entre políticos e artistas, apenas o músico Tico Santa Cruz e o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, devem marcar presença. Minc afirmou que não marchará, mas estará na concentração:

¿ Não é uma questão de ser contra ou a favor da maconha. O problema é que a política atual não tem se mostrado eficaz, coloca o monopólio da droga na mão do traficante. Acredito que o próximo passo seria a descriminalização completa do uso para que, a médio prazo, possamos pensar em legalização da maconha.

www.oglobo.com.br/rio